dom, 18/06/2017 - 11:03

Famílias peregrinam pelo SUS para ter acesso a tratamento

Disparidade entre serviços da rede pública e da privada de saúde começa na obtenção do diagnóstico

Publicidade
Quando Iago, 14, começou a se queixar de garganta inflamada e dor de cabeça e a ficar mais quieto, a mãe, a servente escolar Lucineia Aparecida Santos, 34, imaginou que poderia ser gripe. Atravessou a estrada de terra que separa o distrito de Imbiruçu, onde mora, do centro de Minas Novas, no Alto Jequitinhonha, e levou o filho ao hospital. Chegando lá, a médica receitou um antibiótico, e o menino voltou para casa. Nove dias se passaram, Iago ficou mais desanimado, perdeu a cor. A mãe, angustiada, retornou com ele ao hospital. Desta vez, a médica acreditou que seria anemia e pediu um exame de sangue, que teve resultados muito alterados. O menino precisou ficar internado, mas, por falta de recursos na unidade, era impossível chegar a um diagnóstico preciso: podia ser leishmaniose ou leucemia, suspeitava a médica. Seis dias se passaram, e, finalmente, surgiu uma vaga no Hospital das Clínicas, na capital, onde, três dias depois, a mãe escutou o que mais temia: era leucemia.

A dificuldade do diagnóstico foi só o primeiro obstáculo enfrentado pela família de Iago, que desde fevereiro luta contra o câncer. A situação dele retrata o que a maioria dos pacientes com a doença enfrenta no país, principalmente no interior e no Sistema Único de Saúde (SUS): primeiramente, o desafio de descobrir que os sintomas são de câncer. Depois, o acesso ao tratamento, que, apesar da lei que determina que ele deva começar até 60 dias após o diagnóstico, muitas vezes leva muito mais. Por fim, há a dificuldade de se conseguirem os medicamentos – os mais inovadores, geralmente, não são incorporados ao sistema.

Desde o diagnóstico, Lucineia não voltou mais para casa. São mais de nove horas de viagem da residência dela até o hospital, e a passagem é cara. Após quatro meses de quimioterapia, o câncer entrou em remissão – quando não há sinais da doença, mas não se pode dizer que a pessoa está curada. A última sessão será em julho. Enquanto isso, a mãe está com o filho na Casa de Acolhida Padre Eustáquio, na região da Pampulha, que recebe famílias que não têm onde ficar durante o tratamento. “Para a gente é tudo muito difícil. Nunca imaginei passar por isso. Leucemia eu só tinha visto na televisão”, contou.

Publicidade
Publicidade

O câncer, no entanto, está cada dia mais frequente. Em Minas, foram 15.376 óbitos em 2006 e, dez anos depois, em 2016, 22.358, um aumento de 45%. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 60.750 novos casos neste ano.

Com base nos números, é possível ter uma ideia da dimensão dos problemas. Há 33 unidades e centros de assistência de alta complexidade em oncologia habilitados no Estado e 696 leitos oncológicos no SUS. No total, tanto no sistema público quanto na rede suplementar, há 38 aceleradores lineares, equipamentos usados na radioterapia, em Minas, que tem 853 municípios.

Em muitos casos, falta estrutura. Várias campanhas de arrecadação de recursos para pagar o tratamento de câncer fora do Estado já foram mostradas por O TEMPO, como a de Marcos Felipe, que foi diagnosticado com linfoma de Burkitt, um câncer altamente agressivo, aos 8 anos, em 2014, e só conseguiu atendimento em São Paulo. Outra história é a de Danielle Pedrosa, que, aos 16 anos, fez campanha para tratar um tipo raro de câncer no cérebro, oferecido só nos Estados Unidos.

Segundo o presidente da Sociedade Mineira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes, a limitação de recursos prejudica o atendimento. “Na rede privada, o orçamento é maior para cuidar de 20% da população do que o SUS tem para atender 80%. O indivíduo com convênio tem pelo menos cinco vezes mais recursos do que o atendido no SUS”, afirmou.
Sucesso. Pesquisa com células T do sistema imunológico, divulgada neste mês nos EUA, levou 33 de 35 pessoas com mieloma múltiplo, câncer no sangue sem cura, à remissão da doença em dois meses.

Problemas nos principais tratamentos públicos
Todas as principais formas de tratamento do câncer no SUS apresentam problemas, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes. Na rede suplementar, também há dificuldades, mas elas são menores, conforme ele atesta. “Os aparelhos de radioterapia são poucos e têm tecnologia obsoleta. Muitas pessoas precisam viajar até 800 km para se tratarem. No tratamento por quimioterapia, os medicamentos utilizados não são os ideais, e os que representam avanços não cabem na tabela do SUS”, explica. “Na parte de cirurgia oncológica, existe um déficit: pacientes deixam de ser operados e morrem na fila”, pontua.

Segundo ele, na rede suplementar de saúde, os equipamentos geralmente são mais modernos e disponíveis em maior quantidade. “Existem mais aparelhos por cabeça, e eles são mais novos. A remuneração por tratamento no SUS não paga as máquinas novas. São máquinas de alguns milhões”, ressalta.

De acordo com Gustavo Fernandes, essa disparidade entre o que é feito no serviço público e no serviço privado se deve à questão financeira. “Os custos são muito difíceis de ser acompanhados”, declara.

Fonte:http://www.otempo.com.br/cidades/fam%C3%ADlias-peregrinam-pelo-sus-para-...

ter, 27/06/2017 - 07:13

Prefeitos se reúnem em Ipatinga para cobrar a operacionalização do SAMU Regional

Comissão Especial defenderá implantação de duas centrais de regulação, uma em Ipatinga e outra em Governador Valadares
seg, 26/06/2017 - 17:25

Paraíso realiza 5ª Semana do Bebê

A programação segue durante toda esta semana nas unidades de Saúde até o próximo sábado, dia 30
seg, 26/06/2017 - 16:22

Galpão de pneus é destruído por incêndio em Timóteo

Cerca de 150 pneus pegaram fogo no local
seg, 26/06/2017 - 16:19

Nova turma de bacharéis da OAB de Ipatinga recebe boas-vindas

Mauro Oscar e Sérgio Murilo dão boas-vindas a nova turma de bacharéis da OAB Ipatinga