Ontem, Dia Mundial do Orgulho LGBT, os homossexuais brasileiros obtiveram duas conquistas em locais diferentes do país. Em Jacareí, interior de São Paulo, o comerciante Luiz André Moresi e o cabeleireiro José Sérgio Souza, juntos há oito anos, conseguiram sua certidão de casamento civil - a primeira dada a homossexuais no Brasil.
Em Brasília, a juíza Júnia de Souza Antunes converteu a união estável homoafetiva de Sílvia del Vale Gomide Gurgel e Cláudia Helena de Oliveira Gurgel, juntas há 11 anos, em casamento - o primeiro entre mulheres brasileiras. A decisão ocorre um dia depois de o juiz Fernando Henrique Pinto ter feito o mesmo, em Jacareí, em relação a Luiz André e José Sérgio. Os dois magistrados se basearam no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual os casais homossexuais têm os mesmos direitos dos heterossexuais.

São Paulo. A cerimônia do casamento de Luiz André e José Sérgio ocorreu em um cartório de Jacareí. Segundo Luiz André, foi uma reunião simples, mas bonita, da qual participaram, além de parentes e amigos, militantes do movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).
"Ter a certidão de casamento é muito importante para nós. Com ela, passamos a ser reconhecidos pelo Estado como casados, e não mais como solteiros. Com a união estável, todos os direitos já estavam praticamente assegurados, com exceção de se casar, mas, como vivíamos como uma família, queríamos muito oficializar nossa situação. Agora, somos a família Souza Moresi", declarou Luiz André.
Em grupos de discussão dos quais participa na internet, Luiz André compartilhou a cópia da decisão do juiz para que os interessados a utilizem como forma de "encorajar" outros magistrados a seguirem o mesmo exemplo.
Brasília. Após a cerimônia no Distrito Federal, Silvia disse que a decisão da juíza fez com que ela e a agora esposa ganhassem cidadania. "Nós não nos sentíamos parte do país. Agora somos cidadãs e desfrutamos de toda a legalidade", disse. "A sensação de não pertencimento e de viver à margem foi transformada".
Segundo a presidente da Comissão da Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam), Maria Berenice Dias, além de servir para reduzir o preconceito, a conversão das uniões estáveis em casamentos civis reforçará entre os próprios homossexuais a consciência de seus direitos.
"Como o Estado já dizia que a união estável tem o mesmo valor que uma família, o efeito de poder formalizar a união é mais significativo para os homossexuais que passarão a ter a consciência de igualdade no acesso a tudo que um casal heterossexual tem direito", disse a advogada especialista em direitos homoafetivos.
O TEMPO
Da redação do Plox
Comentar