Uma suposta disputa por uma herança de R$ 100 milhões vai ser investigada pela polícia como uma das hipóteses para a execução do analista de informática André Elias Ferreira, de 40 anos. Ele era casado com Carmen Valeska, filha do fundador da madeireira Macal, Francisco Caus. O irmão dela, Luiz Antônio Caus, de 50 anos, proprietário da empresa, é apontado por parentes próximos como o principal suspeito de ter encomendado a execução, ainda que não existam provas materiais. Caus, de acordo com esses relatos, teria feito repetidas ameaças ao cunhado, por considerar que ele manipulava parte da família na disputa por um imóvel no Bairro Belvedere. Ferreira foi morto a tiros, na quinta-feira, numa lanchonete às margens da BR-381, em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Ele tem um inimigo só em Belo Horizonte, que é meu filho”, declarou Francisco Caus.
Apavorados com o assassinato, familiares temem outras mortes, incluindo a do filho da vítima, de 4 anos, que presenciou a morte do pai e é mantido na casa de amigos. As desavenças patrimoniais se arrastam desde o casamento de André e Carmen Valeska, em 2006. Segundo pessoas próximas aos dois, Luiz Antônio via no matrimônio da irmã uma ameaça à distribuição das propriedades a serem herdadas pelos dois. Mas o estopim teria se dado com ações judiciais. Ele teria entrado na Justiça para tentar obter metade de um prédio no Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul, pertencente ao pai. O Estado de Minas tentou falar com Luiz Antônio Caus, mas o empresário não retornou a ligação.

O argumento jurídico de Luiz é que, apesar de o pai ter sido fundador da Macal, ele é o atual dono (o pai a transferiu para os filhos e Carmen abriu mão de sua parte) e a madeireira é que teria construído o edifício. Mas o patriarca obteve, judicialmente, controle sobre a propriedade e, como retaliação, despejou a empresa do prédio em que ela funcionava havia anos, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul. O filho fez a mudança para o depósito, no Bairro Olhos d’Água. Segundo amigos da família, ele creditava a André a culpa pelas brigas patrimoniais e, nos últimos meses, além das ameaças ao cunhado, vinha ligando para amigas de Carmen, reiterando a rixa com o cunhado.
A investigação deve ser feita pela Delegacia de Itaúna, responsável pela área de Itatiaiuçu. No entanto, a família entrou em contato com o delegado Édson Moreira, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, pedindo reforço na apuração. No dia do crime, o delegado Marco Antônio Noronha esteve na lanchonete, conversou com testemunhas e ouviu relatos de Carmen e do pai sobre a morte de André. Mas preferiu manter em sigilo a linha de investigação e o nome do suspeito de ter contratado os executores, que, de motocicleta, perseguiram a família pela Rodovia Fernão Dias e atiraram duas vezes contra a vítima, segundos depois de ele ter colocado o filho na cadeirinha.
Enterro
O corpo do analista de informática foi enterrado ontem no Cemitério Parque da Colina. A morte de André é motivo de surpresa para parentes e amigos, que definem a vítima como uma pessoa simples e bem-humorada. “Ele era de paz, brincalhão e honesto. Era uma criança, apesar de ter 1,90 metro de altura”, resume a irmã, que, sob temor, pediu para ter o nome preservado.
Estado de Minas
Da redação do Plox
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