O consumo de crack em Minas Gerais, especialmente em Belo Horizonte, é preocupante, mas não há como estimar número de dependentes, como reconhece o sociólogo Luís Flávio Sapori, secretário-executivo do Instituto Minas pela Paz, que lançou nessa segunda-feira campanha com o objetivo de evitar o aumento no estado de dependentes da droga, considerada um grande mal deste início de século e de milênio no país. A ação tem parceria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e Conselho Estadual de Políticas Antidrogas (Conead-MG).
A campanha Crack destrói, de caráter publicitário, será veiculada em todos os meios de comunicação de massa e seu conteúdo tem o propósito de conscientizar a população sobre os males causados pelo consumo da droga. “Vamos abordar temas como efeitos destruidores no organismo, abalo das relações sociais e familiares resultantes da dependência do entorpecente”, afirma Sapori. “Trata-se de um trabalho preventivo, de alerta ao público para que atue de forma a evitar o surgimento de mais dependentes.”
O crack deixou de ser uma droga da periferia, de dependentes de baixa renda, para invadir também recintos de classes sociais mais abastadas. O consumo se alastra entre executivos, profissionais liberais, empresários, universitários e, como o efeito é de curta duração, o organismo o exige várias vezes ao dia, o que derruba a ilusão de tratar-se de um entorpecente barato. O dependente, sem dinheiro, vende o que acha pela frente, até mesmo objetos de uso doméstico, para satisfazer o vício.
Autor do livro Crack, um desafio social , em parceria com Regina Medeiros, Sapori alerta que a maioria dos consumidores começou experimentando outros tipos de entorpecentes. “E também o álcool, mas não podemos nos dispersar agora nos preocupando com outras drogas. Temos de nos concentrar no crack e conter seu avanço e seu efeito devastador sobre as pessoas”, afirma.
A ação está também na internet. No site www.crackdestroi.org.br, no ar desde essa segunda-feira, há informações sobre a droga, como sua composição e efeitos no organismo, tráfico e consumo. Há ainda filmes e spots publicitários da campanha disponíveis para download. “A ideia é disseminar as informações. Quanto mais a população estiver ciente de que estamos diante de algo realmente devastador, mais ela estará disposta e preparada para evitar que mais pessoas consumam a droga”, conclui Sapori.
Estado de Minas
Da redação do Plox
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