As denúncias de que a juíza da comarca de Esmeraldas, Maria José Starling, e o advogado Robson Pinheiro, que atuou como defensor do goleiro Bruno Fernandes, teriam cobrado propina de R$ 1,5 milhão para soltar o jogador ganharam ainda mais força ontem. O deputado Durval Ângelo, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, apresentou cópias de e-mails que mostram "conversas" entre a noiva do goleiro, Ingrid Oliveira, que fez a denúncia de extorsão, e a juíza, alvo das denúncias.

Ao contrário do que declarou a defesa da juíza, de que Maria Starling sequer conhece Ingrid, os e-mails apresentados pelo deputado sugerem que a magistrada não só conhecia a noiva de Bruno, como também sugeria ter uma relação de proximidade com Ingrid. Nas mensagens, a magistrada se refere a Ingrid como "filha" e diz estar com saudades. A juíza ainda teria dito que iria ao casamento de Bruno e Ingrid. "São provas cabais do esquema", disse o parlamentar.
Além dos correios eletrônicos, o deputado também apresentou o contrato de prestação de serviços assinado entre um empresário que tinha uma procuração de Bruno e o advogado Robson Pinheiro. No documento, está explícito o pagamento de R$ 1,5 milhão em dinheiro ao advogado em um prazo de até 48 horas após a soltura do jogador.
Cópias dos e-mails e do contrato foram encaminhadas ontem ao Conselho Nacional de Justiça e à Corregedoria do Tribunal de Justiça com o pedido de afastamento da magistrada.
A relação de intimidade entre a juíza e a noiva do goleiro teria envolvido outros parentes do jogador. Segundo Durval Ângelo, a avó do goleiro, Estela Santana, e uma tia dele chegaram frequentar a casa da juíza, a convite da própria magistrada.
Ontem, o advogado Cláudio Dalledone, que atualmente defende Bruno, confirmou a suspeita de que o colega de profissão estava envolvido na liberdade negociada do jogador. Ele também sugere o envolvimento da juíza no esquema. Dalledone disse que soube da negociação em fevereiro deste ano e só continuou no caso com a saída do colega.

Um vídeo, feito num hotel do Rio de Janeiro, mostraria Robson Pinheiro detalhando como a soltura irregular de Bruno aconteceria. A noiva do goleiro prometeu revelar as imagens aos deputados amanhã.
O esquema teria envolvido até jogadores de futebol que, sem saberem do plano, chegaram a negociar uma "vaquinha" para juntar o dinheiro para tirar Bruno da prisão. "Robson Pinheiro estava numa reunião com os atletas e viu que o dinheiro sairia com facilidade", afirmou o deputado.
Policial civil teria feito ameaças
A Ouvidoria de Polícia investiga quem seria o homem que se apresentou como policial civil e que teria ameaçado Ingrid Oliveira, há três semanas, a mando dos envolvidos no esquema de extorsão. As intimidações aconteceram após a dentista desistir de levar o plano de soltura de Bruno à frente.
Para o deputado Durval Ângelo, Ingrid foi enganada pelo advogado Robson Pinheiro e pela juíza Maria Starling de que a soltura aconteceria de forma legal, mas quando soube que se tratava de um esquema, ela recusou-se a participar. O homem que fez as ameaças foi identificado apenas como Leandro. (RR)
Advogado diz que e-mail é "prova criada"
A apresentação das mensagens eletrônicas e as seguidas denúncias contra a juíza Maria Starling parecem não abalar a defesa dela. O advogado Getúlio Queiroz, representante da magistrada, voltou a negar qualquer relação da magistrada com Ingrid. Ele disse que os e-mails não podem ser usados como provas em um processo.
"Esse tipo de mensagem, qualquer um pode criar. Já pensou se fosse fácil assim?", justificou. Queiroz disse acreditar que todas as denúncias contra a juíza têm como objetivo apenas prejudicá-la.
Procurado ontem, o advogado Robson Pinheiro não comentou os documentos apresentados pelo deputado Durval Ângelo. Ele disse apenas estar tranquilo e reforçou que o contrato feito com Bruno está dentro dos princípios éticos. Ingrid Oliveira foi novamente procurada, mas não se pronunciou.
O TEMPO
Da redação do Plox
Cadeia...
Se for realmente que houve comprometimento e ameaças, este bando tem que ir pra cadeia... Mais como estamos no Brasil, mesmo que se prove algo, infelizmente dificilmente quem tem dinheiro vai pra cadeia e quando vai, fica pouquíssimo tempo...
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