Suspeita de ter cobrado R$ 1,5 milhão para vender um habeas corpus ao goleiro Bruno Fernandes, a juíza Maria José Starling mantinha conversas telefônicas com a noiva do jogador, Ingrid Oliveira. Áudios divulgados ontem pela TV Record contradizem a magistrada, que sempre afirmou não conhecer a dentista.
A gravação deixa claro que as duas tinham certa intimidade, mas não prova a negociação do suposto esquema denunciado pela noiva do goleiro, que contaria ainda com a participação do advogado Robson Pinheiro.
"Sou sua amiga. Se precisar vir na minha casa, pode vir que tem lugar. A gente conversa e se distrai", diz a magistrada em um trecho. Em outro ponto da conversa, Maria José se coloca à disposição para orientar a dentista. "Qualquer dúvida que você tenha, liga pra mim ou para o doutor Robson. Ele te orienta também. Ele é de coração bom", afirma.

Desde o início do caso, tanto a juíza quanto Pinheiro - que já atuou na defesa de Bruno, por três meses - negam as acusações.
As ligações telefônicas foram gravadas durante um período de 30 dias, no fim do ano passado, com autorização da Justiça. A escuta contou com o apoio de uma equipe do Ministério Público Estadual (MPE).
A Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) abriu uma sindicância para apurar o caso. Maria José tem até o fim desta semana para apresentar defesa. Se o órgão julgar que há indícios de irregularidades, pode abrir um processo administrativo contra a magistrada.
O presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil seção Minas Gerais (OAB-MG), Ronaldo Armond, explica que, para a entidade abrir um processo contra Pinheiro, são necessárias provas concretas, como conversas que explicitem as supostas negociações.
Bruno está preso há um ano na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana da capital, acusado de ser o mandante do assassinato da ex-namorada Eliza Samudio.
O Tempo
Da redação do Plox
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