O advogado Edson Ferreira, que defende os quatro policiais presos na noite de quinta-feira (21) por suspeita de envolvimento na morte do menino Juan de Moraes, de 11 anos, informou na manhã desta sexta-feira (22) que irá analisar o processo para avaliar o pedido de liberdade dos indiciados.
Os PMs chegaram ao Batalhão Especial Prisional de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, por volta das 22h da última quinta-feira. Antes de serem levados para o batalhão, os indiciados foram encaminhados para o Hospital da Polícia Militar, no Estácio, região central do Rio, para fazer o exame de corpo de delito.

Eles foram indiciados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e ocultação de cadáver. De acordo com o juiz Márcio Alexandre Pacheco da Silva, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, os policiais devem cumprir o mandado temporário de prisão por 30 dias, porém o prazo pode ser prorrogado caso as investigações apontem a necessidade de mais explicações.
Na noite de quarta-feira (20), o juiz decretou a prisão temporária dos quatro PMs, alegando que “já existe prova da existência do crime e que há fortes indícios de autoria”. No despacho em que justifica a decisão, o magistrado considera que a prisão temporária dos policiais é importante, porque a liberdade dos PMs provoca temor em vítimas e testemunhas, “capazes de trazer elementos para a elucidação dos fatos”.
O juiz explicou que muitas pessoas deixam de prestar depoimento ou falam sobre o caso sem se identificar e lembra que vítimas e familiares de Juan foram incluídos em programa de proteção a testemunhas. Márcio Alexandre considera a prisão dos PMs essencial para o bom curso das investigações, que ainda não foram concluídas, e pondera: “se o próprio corpo como prova pôde ser manipulado, o que dirá de outras provas".
Por fim, o magistrado pediu que os policiais Isaías Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva permaneçam separados dos demais detentos enquanto estiverem presos.
Sobre o caso:
O corpo de Juan foi encontrado dez dias depois da ação na comunidade Danon, às margens do rio Botas, em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense.
As investigações para apurar quem matou o menino estão colocando em lados opostos as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. As duas instituições defendem versões diferentes para o mesmo crime.
Em depoimento, os policiais militares, investigados pela morte de Juan, disseram que teria havido intenso confronto com traficantes na favela, mas peritos não encontraram indícios de troca de tiros na direção onde os PMs estavam posicionados.
A perícia de local não detectou vestígio de cápsulas ou qualquer marca de perfuração que provasse que tiros foram disparados na direção dos PMs.
No dia 9 de julho, policiais fizeram a reconstituição do crime, com a participação dos policiais suspeitos.
R7
Da redação do Plox
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