
As relações entre pais e filhos, educadores e alunos, e a convivência de pessoas nascidas em diferentes épocas sempre foram conflitantes. Até na Bíblia Sagrada os embates entre gerações se mostraram muitas vezes mais causadores de desgastes e dores do que de acréscimos de conhecimento.
Mas os dias atuais, com o advento da tecnologia e a vasta rede de comunicação, que ora cobre praticamente toda a crosta terrestre, parecem acirrar os conflitos, pois, o distanciamento entre nascidos em décadas diferentes se torna mais evidente. O mundo se transforma de forma mais profunda em um pequeno espaço de tempo.
Parece que para diminuir esse distanciamento, resta ao ser humano a única arma que se faz infalível quando se quer compreender outro: a humildade. Que nos despe de nossas “verdades” e nos permite visualizar o ontem, o hoje e o futuro, pela ótica de outra pessoa.
Os viventes das décadas atuais, talvez numa tentativa de vencer a insegurança que se tem ao se conviver com o desconhecido, trataram de definir, segmentar e nomear as diferentes “gerações”.

O Colégio John Wesley de Ipatinga recebeu na terça-feira (21), a professora Márcia Rodrigues Moreira, coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade Pitágoras, para uma palestra sobre os conflitos de gerações.

Segundo a diretora da instituição, Maria Geralda de Azevedo, a escola desenvolve há cinco anos um projeto denominado Escola de Pais, que visa dar preparo para os desafios da educação.
De forma didática, a professora Márcia Rodrigues definiu as gerações X, Y e Z. Para facilitar a compreensão a ela fez uma analogia entre os desenhos de cada letra e as gerações representadas por elas:
Geração X
Tal como na grafia onde duas linhas se sobrepõem e se opõem, assim é a geração X. Os filhos dos Baby Boomers da Segunda Guerra Mundial compõem esta geração. Nasceram entre os anos 1960 e 1980.
Geração Y
A Geração Y, também chamada de Geração Next ou Millennnial, tem como integrantes as pessoas nascidas entre os anos 1980 e 2000. Segundo Márcia, tal como o desenho da letra, eles não tem um único caminho a seguir.
Geração Z
Esta é a geração formada por indivíduos conectados. Sempre ligados, usam em demasia os dispositivos portáteis. A maioria de seus representantes nasceu após o ano 2000. Estão sempre conectadas ao virtual, mas desligados de quem está do seu lado.

Segundo a palestrante, embora existam conflitos entre as gerações, os mais velhos, e, portanto dos quais se espera mais experiência, não podem desprezar sua responsabilidade em colocar limites. “Fala-se muito em se cuidar do meio ambiente visando deixar um planeta com qualidade para as próximas gerações. Preocupa-me mais o tipo de pessoas que deixaremos para esse planeta”, alerta a professora.
A jovem Priscila Caroline Fieni, de 16 anos, nos disse que mora com a mãe. Segundo ela, a relação não é muito conflitante, mas tem amigas que relatam ter muitos conflitos com os pais.

“Minhas amigas tem muitos atritos. Acho que a maioria dos conflitos entre os adultos e os jovens é por que estes estão numa fase onde só querem da vida o prazer e nada mais”, afirmou.
Márcia Rodrigues parece concordar com Priscila e afirma que pais e educadores devem respeitar esse desejo de ter prazer, sem ficar dizendo não a todo o momento e por motivos banais. “Temos de exercer o não. Porém usá-lo somente quando estiver em risco algum valor fundamental”, explicou.
A professora delongou um pouco mais nas orientações sobre o “uso do não”, pois, esse, se bem usado, dará limites que protegem o indivíduo. Mas se usado indistintamente, pode causar nos jovens um bloqueio, e nos adultos, um cansaço, que pode lhes tirar a firmeza para dizer “não” quando verdadeiramente seja necessário o seu uso. “Tem pais que brigam por causa de um som alto, de uma roupa diferente, um beijo. Coisas não fundamentais a gente trata com tolerância, o não é para aquilo que afeta os valores. Estes sim precisam ser resguardados”, defendeu a palestrante.

O casal Antônio Pádua, industriário, e Jacy Martins, professora, têm dois filhos, um de 21 anos e o outro de 16. “Já trocamos muitas vezes o momento de dizer não. Às vezes, falamos não em coisas simples e deixamos de dizer em outras nas quais deveríamos ter dito”, lamentou o industriário.
Sejam exemplos de conflitos os fatos citados em referência ao filho pródigo, que se lançou ao mundo dando as costas para o pai, ou os jovens de hoje que pensam ter pais incultos, só por que esses não sabem usar um iPod, palestrante e platéia parecem concluir que só a humildade permitirá que esses indivíduos possam fazer das relações uma oportunidade para que um possa acrescentar ao outro.
E é bom que busquem mesmo um consenso, pois novas gerações já estão a caminho.
Da redação do Plox
Professora Márcia Rodrigues é nota 1000!!!
Fui aluno dela no Pitágoras na disciplina Ciências Políticas e foi uma experiência reveladora.
Tenho até vergonha de conversar com uma pessoa tão inteligente!
Em um país que só valoriza bandido e minorias, professora Márcia é uma ilha de sabedoria/inteligência!
Parabéns!
Márcia
Professora Márcia, você é demais!
Um forte abraço!
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