Um dia de greve dos trabalhadores dos Correios, que iniciaram a paralisação ontem, já foi o bastante para atrasar a entrega de correspondências e a suspensão temporária dos serviços com hora marcada de entrega do Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta. Em Brasília, o presidente da empresa, Wagner Pinheiro, informou que 32% do total de 109 mil empregados aderiram ao movimento grevista.

"Nosso atendimento continua a existir, mas com precariedade na entrega das cartas", afirmou Pinheiro. Dos 35 milhões de objetos (cartas, encomendas, telegramas) entregues diariamente pelos Correios em todo o país, cerca de 5,3 milhões não chegaram ao local de destino ontem.
Em Minas Gerais, onde existem 10.500 funcionários, de acordo com os Correios, a greve atingiu pouco mais de 7% do efetivo da empresa. "A paralisação está restrita a Belo Horizonte e região metropolitana e à cidade de Juiz de Fora", informou a nota. Mas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos de Minas Gerais (Sintect-MG), Pedro Paulo Pinheiro, cerca de 800 funcionários não trabalharam ontem em Belo Horizonte e região metropolitana e apenas a região do Triângulo Mineiro não suspendeu as atividades. "As principais funções paralisadas foram os carteiros e operadores de triagem", informou.
O piso básico atual da categoria é de R$ 807,29. Os Correios ofereceram proposta que incluía R$ 800 de abono, reajuste de salário de 6,87%, vale cesta básica de R$ 140 e aumento linear de R$ 50 a partir de janeiro de 2012. Mas na terça-feira, 34 dos 35 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) rejeitaram a oferta. Os funcionários querem aumento real de R$ 400, piso salarial de R$ 1.635 e vale refeição/alimentação de R$ 30.
Em Minas Gerais, os trabalhadores pedem mais. Querem reposição de 7,14%, referente à inflação nos últimos doze meses, 35% de reajuste no acumulado dos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva e 20% de aumento real, além de melhorias nos serviços de atendimento médico aos trabalhadores.
Os Correios informaram que, enquanto a paralisação persistir, a negociação com os funcionários deverá permanecer suspensa e os dias parados serão descontados. A empresa já colocou em operação um plano de contingência, com realocação de empregados e realização de horas-extras.
O Tempo
Da redação do Plox
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