A decisão da Justiça determinou que o governo de Minas pague o tratamento de uma de uma jovem de 24 anos viciada em crack em Atibaia, no interior de São Paulo. O Estado que não possui internação compulsória - quando o paciente se recusa a receber o atendimento - terá que custear o tratamento de Carolina Moreira Alves Pereira já que não possui um serviço especializado neste tipo de caso. A clínica paulista cobra R$ 18 mil por nove meses de tratamento.

A decisão foi expedida pelo juiz Geraldo Claret Arantes da 3ª Vara da Família, na última quarta-feira, a pedido da mãe de Carolina, a dona de casa Sônia Cristina Moreira. A jovem já teria sido internada mais de 70 vezes, mas sempre fugia das clínicas da rede pública. Atualmente, Carolina está internada no Instituto Raul Soares de onde tentou fugir na semana passada.
"Foram dez anos lutando para ajudá-la e nunca desisti. Mesmo ela não querendo o tratamento tenho certeza que estou fazendo o melhor para minha filha", contou a mãe da jovem.
De acordo com a Secretaria de Defesa Social (Seds) o governo trabalha apenas com internações voluntárias de pacientes. São cerca de 3.000 vagas em 31 instituições no Estado.
O presidente da ONG Defesa Social, Robert William, afirmou que a decisão judicial seria inédita em Minas. "O pagamento do tratamento de um dependente químico involuntário que será custeado pelo governo em outro Estado é uma decisão ainda não registrada aqui", disse William.
A Seds não confirmou se o órgão já foi obrigado a pagar algum tratamento de dependentes químicos em outro Estado. A secretaria informou, no entanto, que só irá se pronunciar sobre a decisão após receber a notificação oficial.
Há um mês, outra decisão da Justiça obrigou o Estado a custear o tratamento de uma menor de 14 anos também viciada em crack. A garota foi internada em uma comunidade terapêutica na região metropolitana e só deverá ter alta em um ano.
O Tempo
Da redação do Plox
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