Começa na próxima segunda-feira o julgamento de um mineiro que pode ser condenado à morte nos Estados Unidos. Valdeir Gonçalves Santos, de 31 anos, é o principal suspeito do desaparecimento e suposto assassinato de três pessoas de uma família em Omaha, no estado de Nebraska. O empresário brasileiro Vanderlei Szczepanik, 43, sua mulher, Jaqueline Szczepanik, 43, e o filho do casal, Christopher, 7, estão desaparecidos desde 17 de dezembro de 2009.
Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, Santos e o amigo José Carlos Oliveira Coutinho, 35, trabalhavam como ajudantes de pedreiro na construtora de Szczepanik. No dia em que a família foi dada como desaparecida, eles foram flagrados utilizando os cartões de crédito do empresário. Cheques da conta da vítima também teriam sido descontados pelos acusados.

Maria Gonçalves, mãe de Santos (no detalhe acima) acredita na inocência do filho; Coutinho (abaixo) aguarda julgamento preso
Os mineiros, que são de Ipaba, município próximo a Ipatinga, foram presos em fevereiro deste ano após depoimento, por telefone, das próprias mulheres dos acusados à polícia americana. A mulher de Santos, Vanderlúcia Oliveira de Paula, 32, que vive no Brasil, afirmou que o marido lhe contou que havia cometido o crime e chegou a dar detalhes. De acordo com o Itamaraty, Vanderlúcia disse à polícia que Santos torturou o empresário e fez com que ele assinasse os cheques, matando-o em seguida. Depois, teria esquartejado o corpo, colocado em um saco com pedras e jogado em um rio.
A mulher de Coutinho, Patrícia Barbosa, teria denunciado à polícia americana que o marido odiava o patrão. A justiça norte-americana acredita que o crime teria ainda motivações econômicas. Parentes dos mineiros não foram encontrados pela reportagem. Segundo jornais da região de Ipaba, tratam-se de pessoas muito humildes e analfabetas.
No próximo dia 15, o tribunal dos EUA vai selecionar os jurados sobre o caso de Valdeir Santos. A corte se reunirá entre os dias 22 e 26 de agosto. O julgamento de Coutinho não foi marcado. Um terceiro amigo dos acusados, Elias Lourenço Batista, 29, também foi apontado como suspeito, mas foi liberado por falta de provas. Batista foi deportado em abril por estar ilegal no país.
Um dos suspeitos seria "coiote", afirma jornal
Os amigos de infância Valdir Santos e Elias Batista foram para os EUA, em 2009, convencidos pelo amigo José Carlos Coutinho, que já estava lá há quatro anos. Eles entraram de forma ilegal no país para trabalhar na empresa de Vanderlei Szczepanik, que empregava vários brasileiros.
Segundo um jornal para brasileiros nos EUA, o "Comunidade News", Coutinho foi acusado de ser um "coiote", pessoa que ajuda a atravessar imigrantes ilegais pela fronteira com o México.
Os parentes dos acusados acreditam na inocência deles. A mãe de Santos, Maria Aparecida Gonçalves, afirmou à imprensa da região de Ipaba que os amigos não eram bandidos, mas trabalhadores em busca de uma vida melhor.
Em Ipaba, o caso envolvendo os amigos é o assunto mais comentado. A Polícia Civil informou que as famílias dos acusados se desentenderam diversas vezes e saíram da cidade.
O Tempo
Da redação do Plox
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