quarta-feira, 06/07/2011

Estudante morre após procedimento para doação de medula óssea

Ela sonhava ser enfermeira para ajudar a salvar vidas. E foi assim que a estudante Luana Neves Ribeiro, de apenas 21 anos, morreu na noite desta segunda-feira (04), em Rio Preto.

Luana, que morava em Promissão, era doadora de medula óssea e veio ao Hospital de Base para submeter-se à coleta do material, que seria doado a uma criança com câncer do Rio de Janeiro. E morreu oito horas depois de passar por um procedimento de preparação para o transplante. A família dela acusa o HB de erro médico. O hospital limitou-se a dizer nesta terça-feira (05), em nota, que apura o caso (leia mais em texto ao lado).

Há dois meses, Luana havia participado de campanha de doação de sangue na faculdade de Marília, onde cursava o último ano de enfermagem. Durante o evento, ela se cadastrou no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Por ser compatível com a criança, foi chamada para fazer a doação e aceitou. “Ela estava muito feliz. Dizia que ia dar a vida a uma pessoa que estava morrendo”, disse o padrasto Waldivino Francisco Guedes, 65.

Cirça Neves, 46 anos, mãe da doadora de medula óssea, segura foto a filha que morreu

Antes de passar pelo procedimento, Luana falou por telefone com o namorado Fábio Fernandes, 24. “Ela estava alegre e deslumbrada com a beleza do hotel [Saint Paul], onde ficou hospeda. Estávamos juntos havia dois anos e tinhamos planos de ficar noivos no final do ano”, disse Fábio nesta terça-feira (05), no velório.

Luana morreu na frente da mãe, Cirça Aparecida Neves de Oliveira, 46, que acompanhou as dores que a filha teve antes de morrer no quarto do hotel e no hospital. Abalada, Cirça não quis falar com a reportagem.

Cateter /A coleta da medula de Luana seria realizada na manhã desta terça-feira (05). A estudante chegou a Rio Preto por volta das 10h desta segunda-feira (04). Quatro horas depois, os médicos do HB colocaram um cateter no pescoço dela para colher o material no dia seguinte. Depois de passar pelo procedimento, Luana foi liberada e voltou para o hotel onde estava hospeda com a mãe. Mas no início da noite, passou mal com fortes dores na barriga provocada por hemorragia interna e voltou ao hospital, onde morreu.

O cateter teria perfurado um órgão de Luana, o que causou a hemorragia, segundo o padrasto. O caso é o primeiro registrado no Brasil pelo Remode desde foi inaugurado, em 1993.

A morte da jovem comoveu os moradores de Promissão. Cerca de 300 pessoas acompanharam o velório.

HB emite nota para ‘lamentar’ e dizer que investiga caso

O Hospital de Base de Rio Preto e a Unidade de Transplante de Medula Óssea da instituição limitaram-se a emitir nota à imprensa nesta terça-feira (05) para “lamentar” a morte da jovem durante preparação para o transplante de medula óssea. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o caso está sendo investigado internamente. “O laudo com a causa da morte deve ser emitido pelo Serviço de Verificação de Óbito”, informa a nota.

Diretor do Inca critica a metodologia do HB

O hematologista e diretor do Centro de Transplante do Inca (Instituto Nacional de Câncer), Luis Fernando Bouzas, afirmou nesta terça-feira (05) em entrevista ,que é contra colocar cateter em pacientes normais, como foi feito nesta segunda-feira (04) pela equipe do Hemocentro de Rio Preto, durante a preparação da retirada de medula óssea da auxiliar de enfermagem Luana Neves Ribeiro, 21.

A jovem morreu depois da colocação de um cateter na veia jugular (do pescoço) para o transplante que seria realizado nesta terça-feira (05).

“Ela não chegou a fazer a coleta pela máquina de aférese. O que aconteceu foi uma complicação relacionada ao cateter. O Inca evita o uso desse instrumento. Procuramos fazer a aférese usando uma veia periférica ou optamos pelo método tradicional que é a coleta direta da medula óssea”, diz o hematologista.

Segundo ele, a paciente tinha veias periféricas (veias próximas à superfície da pele na mão ou no braço) finas e não eram adequadas para o procedimento. “Resolveram então colocar um cateter em uma veia jugular do lado direito, que é o mais comum. Tentaram algumas vezes e não conseguiram. Depois conseguiram no lado esquerdo”, diz.

O hematologista afirma que após o procedimento no lado esquerdo, foi feita uma radiografia na paciente e constatou-se que Luana não estava com nenhum problema.

“O cateter estava bem posicionado e não tinha sinal de sangramento no tórax. Tanto que ela foi liberada para voltar para o hotel. Só depois começou a passar mal e teve de retornar para o HB, quando aconteceu a fatalidade”, diz Luis.

O hematologista é contra o uso de cateter porque pode ter complicações como infecções, hemorragia no tórax ou rompimento de vasos sanguíneos ou até do pulmão. “Se não consigo uma veia adequada para a coleta por aférese, faço o procedimento tradicional. Prefiro anestesia a colocar um cateter”, afirma o hematologista.

 

Rede Bom Dia

 

Da redação do Plox


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