Familiares do engenheiro mineiro Mário Augusto Soares Bittencourt, 61, e do geólogo paulista Mário Gramani Guedes, 57, suspeitam que a morte deles possa ter sido provocada por envenenamento. Os trabalhadores foram ao norte do Peru fazer prospecções para a implantação de uma hidrelétrica. O corpo de Bittencourt chegou a Belo Horizonte ontem. Guedes já havia sido sepultado na capital paulista um dia antes.
Familiares também receberam uma certidão de óbito confeccionada por autoridades peruanas. O relatório da autopsia encaminhado pela embaixada do Brasil em Lima aponta, como a causa das mortes, edema pulmonar e cerebral. "Não sabemos o que pode ter provocado esses edemas, mas a suspeita é que seja envenenamento", afirmou o sobrinho de Mário Augusto, o administrador Milton Bittencourt, 33.

De acordo com o diretor geral do Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, José Mauro de Moraes, o edema pode ser provocado, sim, por envenenamento, mas também por outras causas, como acidente de qualquer natureza (quedas, agressões etc). "É uma causa morte que pode ocorrer em várias situações e, por isso, precisa do laudo", destacou.
Segundo o sobrinho do engenheiro mineiro, o próximo passo será a contraprova do laudo emitido no Peru. "Acreditamos que o novo exame poderá apontar, de fato, a causa morte" disse. No procedimento, os médicos legistas irão usar um equipamento chamado de cromatógrafo de massa, que pode detectar 20 mil substâncias diferentes no corpo humano. O resultado do exame deve sair em 30 dias.
As famílias das vítimas não têm ideia do que levaria ao crime. "Não sabemos o que poderia ter levado alguém a envenená-los", afirmou a filha do geólogo, Júlia Guedes. A família de Mário Guedes não solicitou uma segunda autopsia no Brasil e realizou o sepultamento ainda ontem.
Já o funeral do engenheiro mineiro deve acontecer hoje. Os brasileiros foram encontrados mortos na última quarta-feira.
O Tempo
Da redação do Plox
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