Além da estiagem que afeta várias regiões do Estado, a falta de bombeiros pode estar contribuindo para o avanço dos incêndios florestais em Minas. O número de ocorrências em território mineiro já é 17% maior que no ano passado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 6.338 focos entre janeiro e setembro do ano passado contra 7.424 no mesmo período de 2011.
O subtenente Luiz Gonzaga Ribeiro, coordenador da comissão de cidadania e direitos humanos da Associação de Praças e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), diz que o déficit no efetivo impede um combate mais eficiente. Segundo ele, batalhões onde há poucos bombeiros - principalmente no interior - precisam se concentrar no socorro a vítimas de acidentes.

O sargento Osmar Silva, da 2ª Companhia dos Bombeiros de Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, administra prioridades. Entre um incêndio e um acidente, afirma, a prioridade é a preservação da vida da pessoa. "Só temos três guarnições para atender a 17 municípios", diz.
No dia 8 de setembro, os bombeiros de Coronel Fabriciano, na região Central de Minas, não atenderam a um chamado de incêndio na mata do Recanto Verde. Segundo um dos bombeiros, que preferiu não ser identificado, não havia pessoal. "Somos sete homens na unidade. Não deu nem para ir ao local. Nossa prioridade é o atendimento aos acidentes e emergências que possam ter vítimas", afirmou.
Minas Gerais tem 5.600 bombeiros distribuídos em 52 municípios. De acordo com o governo de Minas, o efetivo atende a 70% da população. "Desse total, cerca de 3.500 trabalham no combate a desastres e queimadas e em ocorrências em geral. A outra parte fica no administrativo e nos trabalhos de segurança e vistoria predial. Sem contar as perdas com o pessoal que se aposenta", afirma o subtenente Gonzaga, que defende um efetivo três vezes maior.
Para ele, o déficit de bombeiros tem reflexo direto no atendimento dos inúmeros incêndios florestais. "Desde o início da década de 90, notamos essa carência no efetivo. Agora, fica mais evidente por causa do fogo".
A diretora de prevenção e combate a incêndios florestais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Zenilde Viola, garante que aumentar o número do efetivo não mudaria a situação. "Não adianta ter muita gente se os bombeiros não conseguem acessar o local", afirma, ao justificar que muitos focos não são combatidos por ocorrerem em locais de difícil acesso.
Mesmo com a denúncia da Aspra sobre carência no efetivo, a mobilização do Corpo de Bombeiros cresceu. Até segunda-feira, foram atendidas mais ocorrências de incêndio do que em todo o ano passado. Foram 4.025 atendimentos em 2010 ante 4.662 no período entre janeiro e 12 de setembro último.
Com focos de incêndio há 16 dias, a reserva do Caraça, na região Central, só recebeu o reforço dos bombeiros no 9° dia. Antes, brigadistas e voluntários faziam o controle das chamas sozinhos.
O Tempo
Da redação do Plox
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