A Prefeitura abriu nesta segunda-feira (29) o I Seminário de Educação de Timóteo, com duas palestras focadas nas questões éticas e da escola como instrumento de inclusão. Voltado para os profissionais da rede municipal de ensino, o evento realizado na Igreja Batista de Acesita prosseguiu nesta terça-feira (30) com a realização de diversas oficinas.
Em seu discurso na abertura, o prefeito Sérgio Mendes reafirmou o compromisso com a valorização dos profissionais da educação. “Apesar das dificuldades financeiras, não temos medido esforços para superar os inúmeros desafios da educação, tendo como meta a elevação dos indicadores educacionais. Para atingir a qualidade na educação, mais do que investir na infra-estrutura das escolas, nós temos que tratar bem o professor”, apontou. Para ele, o avanço no conhecimento pela educação depende do avanço na capacitação dos professores e demais profissionais da educação. Sérgio Mendes ponderou que somente pela educação é possível melhorar o país e construir o futuro.
A solenidade de abertura contou com a participação do presidente da Câmara Municipal Douglas Wilkys, do vice-prefeito Marcelo Afonso, da secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Rufino Mendes, da superintendente Regional de Ensino de Coronel Fabriciano, Maria do Carmo Silva Melo e do presidente da Fundação Aperam Acesita, Anfilófio Salles, entre demais autoridades.
Cidadania
O público, que lotou o auditório do salão, assistiu palestras sobre os temas “Escola Contemporânea: Instrumento de Inclusão Social” - ministrada pela mestra em Ciência Políticas e doutora em História, Margarida Luiza de Matos Vieira; e “Éticas nas Relações Pedagógicas entre Educadores e Educandos” - ministrada pelo reitor da Comunidade Redentorista, Dalton Barros de Almeida, que é mestre em Psicologia Social, com foco em grupos humanos e família, e Ciências das Religiões.
A historiadora Margarida Vieira discorreu sobre as causas históricas - processos de colonização, escravidão e latifúndio - sociais e econômicas - Brasil possui uma das maiores desigualdades de renda do mundo - que influenciaram o alto grau de exclusão existente ainda hoje na sociedade brasileira. “A escola sozinha não resolve esse problema, mas ajuda no processo de inclusão. E incluir significa entender, reconhecer o outro. Então a escola inclusiva deve acolher a todos, tenham a renda que tiverem, a cor o gênero”, comenta.
Citando Paulo Freire – “Educação de qualidade forma cidadãos que lêem a realidade e se tornam participativos” – a doutora salientou a importância da educação inclusiva para a ampliação da cidadania. “Investir em educação provoca melhoria em saúde pública, pois as pessoas passam a agir na prevenção de doenças, melhora o nível de emprego e consequentemente de renda”, relata.
Por outro lado, a palestrante defende que os profissionais de ensino, professores pedagogos, merendeiras, secretárias tenham um salário digno que atraia para esse trabalho; o aperfeiçoamento constante; e a maior interação com a comunidade, que deve sentir que a escola é seu espaço.
Éticas nas relações pedagógicas
A temática do professor Dalton Barros incidiu sobre o universo das relações, onde há o exercício de quem sabe para potenciar quem ainda precisa aprender a saber viver. “Devemos tratar a ética com base nas relações entre as pessoas e não pelo modelo neoliberal ou liberal que é centrado no indivíduo”, aponta, entendendo a ética como produção da própria subjetividade, que encontra no conhecimento a condição de uma interpretação, de um sentido para o mundo.
Sobre a relação da família dos educandos com a escola, o professor mencionou que existe uma insegurança institucional nos sistemas clássicos (família, escolas, igrejas).
“Existe o fato da transferência de responsabilidades e ao mesmo tempo do medo da invasão pelo outro. O que significa a falta de cooperação, significa a existência de um esquema ainda fechado das unidades (família, escola), e não de redes interligadas dentro de um projeto educativo, humanizador independente da ideologia desse ou daquele grupo”.
Professor x aluno
Dalton Barros argumenta que a relação entre professor e aluno deve ser de respeito e de coresponsabilidade. “Pensar, conhecer é um ato eminentemente afetivo, então a relação tem que se situar na linha do diálogo, de uma aliança de trabalho, de um projeto comum e não na linha de regras a observar, deveres a cumprir e dependência a se submenter”, afirma, observando que a questão principal é sair da mentalidade neoliberal do indivíduo e da liberdade, para uma concepção de liberdade que é a comunhão com o outro.
Da redação do Plox
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