A tarde desta quinta-feira (18) foi marcada por diversas manifestações, em todo país, contra o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em Niterói, na última semana. Em Ipatinga, juízes, servidores públicos, advogados, defensores públicos e representantes das polícias Civil e Militar se reuniram na entrada do Fórum para fazer um minuto de silêncio e participar de um culto ecumênico em nome da paz e da justiça.
Na abertura do ato solene, a juíza diretora do Foro, Marli Maria Braga Andrade, frisou que a manifestação representa um desagravo não apenas ao assassinato bárbaro e covarde de uma representante da Justiça. “Este é um ato muito mais amplo. Temos que lembrar que Patrícia foi assassinada não por ter condenado traficantes de drogas, assassinos e estupradores. Ela levou 21 tiros por sua atuação implacável em relação às milícias, aos bicheiros, exploradores de caça-níqueis e integrantes da máfia do transporte clandestino, conforme noticiou a imprensa”, apontou Marli.
A magistrada reforçou ainda que, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem pelo menos outros 116 juízes condenados de morte no país.
Segundo a magistrada, assim como em outras regiões do país, no Vale do Aço as notícias de mortes de pessoas ligadas ao tráfico e outros crimes têm sido freqüentes. “Há algumas semanas, quando a Assembleia Legislativa realizou aqui em Ipatinga uma audiência pública para debater os muitos crimes contra o patrimônio, lembro-me bem que fiz o seguinte alerta: se ontem foram eles, amanhã poderemos ser nós. Poucos dias depois, mataram Patrícia Acioli”, lamentou.
Ao reverenciar a memória da juíza carioca, a diretora do Foro ainda fez um apelo para que todos os cidadãos iniciem, por todas as formas possíveis, a cultura da paz, da justiça e da dignidade. “Ou todos teremos paz, ou ninguém terá”, previu.
Culto
O culto ecumênico durou cerca de 40 minutos e foi realizado pelo padre Geraldo Ildeo, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, e pelo pastor Cleidemir de Oliveira, da 1ª Igreja Batista Nacional de Ipatinga. Geraldo IIdeo destacou que Patrícia foi “autêntica, justa e incomodou os maus”.O pároco pediu que os magistrados não se intimidem diante do fato. “Que a morte dela sirva para nos despertar para a Justiça e que seja um estímulo para não nos acovardarmos diante do crime”, conclamou.
Por sua vez, o pastor Cleidemir ressaltou que a Paz e a Justiça andam juntas e lembrou que a mudança social não acontece de forma isolada. “É preciso que haja disposição para a mudança em cada cidadão brasileiro. A transformação começa em cada um de nós”, reforçou.
Da redação do Plox
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