Minas Gerais, que, durante décadas, foi um lugar de evasão migratória, hoje possui taxas semelhantes de imigrantes e emigrantes, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com Leila Hervatt, pesquisadora do IBGE e uma das responsáveis pelo levantamento, o estudo revelou que, nos últimos anos, Minas Gerais recebeu cerca de 288 mil imigrantes, estando atrás apenas de São Paulo, que recebeu 535 mil pessoas. Já o número de emigrantes foi da ordem de 30 mil pessoas por ano.
"Hoje, no Estado mineiro, há um equilíbrio entre a entrada e a saída de pessoas. O crescimento econômico, a implantação de indústrias são alguns dos motivos para esse equilíbrio", ponderou Leila.
Segundo dados da pesquisa, Minas Gerais era um Estado considerado de evasão e o Rio de Janeiro, uma região de recebimento de imigrantes. "O levantamento mostrou uma situação inversa nos dias atuais. Hoje, o Rio de Janeiro é considerado um local de evasão, enquanto o Estado mineiro chegou ao equilíbrio no fluxo migratório", observou a pesquisadora.
Segundo a Pnad 2009, em termos absolutos, São Paulo continua sendo o Estado que mais recebe imigrantes (535 mil), seguido de Minas Gerais (288 mil), Goiás (264 mil), Bahia e Paraná (ambos com 203 mil novos imigrantes).
O levantamento revelou ainda que o número de brasileiros que mudaram de Estado vem diminuindo nos últimos 15 anos. Segundo a pesquisadora, entre 1995 e 2000, cerca de 5,2 milhões de pessoas mudaram o Estado de residência. Entre 2000 e 2004, o número caiu para 4,6 milhões. Os dados mais recentes indicam que, entre 2004 e 2009, pouco mais de 3,2 milhões de pessoas trocaram de Estado - há um recuo de 37% na comparação entre os dados de 2009 e 2000.
A história da empresária Mabel Vilela Garzoni, 51, é um bom exemplo de quem saiu de Belo Horizonte à procura de novas oportunidades para ampliar seus horizontes, mas acabou retornando para a terra natal e não se arrepende nem um pouco. Em 1984, Mabel mudou-se para outra cidade, onde ficou até 1997, quando retornou à capital mineira e abriu sua empresa de plotagem.
"Valeu a pena sair de Belo Horizonte e viver experiências diferentes. Aproveitei a oportunidade para me reciclar, aprender e conhecer novas pessoas, mas não arrependo de ter voltado. Acredito que aproveitei todas as oportunidades e lições da vida, mas Belo Horizonte é onde quero ficar", afirmou.
Da redação do Plox
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