O plano parecia perfeito. Uma morte que não deixou rastros do paradeiro do corpo. O misterioso sumiço de Eliza Samudio, 25, completa um ano nesta semana. A novela em que se transformou o caso é um jogo de erros e perguntas sem respostas.
Há exato um ano, em 6 de junho, Eliza chegou a Minas Gerais para, segundo a polícia e o Ministério Público Estadual, cumprir o script de uma morte friamente planejada pelo goleiro Bruno Fernandes, na época jogador do Flamengo, time mais popular do país. Durante esta semana, O TEMPO publica uma série de matérias mostrando os bastidores do caso que chocou o Brasil.
Onde está Eliza ou os seus restos mortais é apenas uma das interrogações sem respostas depois de mais de 160 horas de depoimentos, dez pessoas detidas, três meses de investigação e um ano de mistério. Para a polícia, a briga que Eliza travou na Justiça contra o goleiro - os dois tiveram um relacionamento curto, que resultou em um filho, Bruninho - foi o que motivou Bruno a arquitetar a morte que teria ocorrido em 10 de junho.
Julgamento. Acostumado a viver a adrenalina de grandes finais de campeonato, Bruno estará de novo no centro dos holofotes. Desta vez, sentado no banco de réus. O júri popular é a última chance para que os detalhes dessa história possam ser desvendados. Um julgamento que ainda não tem previsão de acontecer e que ainda deve demorar pelo menos mais um ano. O processo está na Procuradoria Geral da Justiça para análise de recurso da promotoria.
Enquanto o julgamento não chega, os quatro acusados de homicídio - Bruno, o ex-policial Marcos Aparecidos dos Santos, o Bola, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Sérgio Rosa Sales -, completam 334 dias presos. Todos colecionam sucessivas derrotas na Justiça, que já negou mais de uma dezena de habeas corpus. Outras quatro pessoas respondem em liberdade. Um menor, primo de Bruno, cumpre medida socioeducativa.
Risco. Assim que o caso estourou na mídia, a comoção da opinião pública por uma resposta da Justiça ao crime foi enorme. Por isso, uma das estratégias da defesa é adiar ao máximo o júri. Segundo o criminalista Marcelo Leonardo, a tática pode favorecer os réus. "É claro que, se o Bruno for julgado fora do período que teve toda a comoção do caso, torna as condições do júri mais imparciais", diz .
Já o promotor Gustavo Fantini, que ofereceu a acusação à Justiça, avalia que adiar o júri pode ser um tiro no pé. "Quanto mais tempo se passar e o corpo não aparecer - porque ele não irá aparecer - mais se reforça a tese de homicídio", afirma.
Fantini não tem dúvidas de que Bruno é o mandante do crime. "A versão deles de que a moça simplesmente sumiu depois de o Macarrão deixá-la num ponto de táxi é furada. Não bate".
DEBATE
Júri irá dizer se há crime sem corpo
O fato de o mandante do crime ser o goleiro do time mais popular do Brasil já é ingrediente suficiente para que o suposto crime atraísse todas as atenções da mídia nacional e internacional, como aconteceu. O fato de o corpo de Eliza Samudio, ex-namorada de Bruno, nunca ter sido encontrado tornou a história ainda mais misteriosa.
A materialidade do crime será o centro do debate do julgamento, quando sete pessoas comuns irão traçar o destino do goleiro e dos outros oito acusados.
A defesa irá tentar convencer os jurados de que, se não há corpo, não há crime. "Sem o atestado de óbito, digo que morta ela não está", afirma o advogado de Bruno, Cláudio Dalledone.
Já a acusação garante que as outras provas o sangue de Eliza no carro Bruno, as dezenas de ligações entre os réus no dia do crime, além do depoimento do menor, que revelou detalhes da execução suprem a falta do corpo.
Para o promotor Francisco Santiago, a falta do corpo não será decisiva. "Há outras provas que podem ser usadas". (TT)


O Tempo
Da redação do Plox
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