Não há anestesistas nem ortopedistas no hospital. Plantões e atendimentos clínicos já são comprometidos
A Associação Beneficente de Saúde São Sebastião (ABSSS) confirmou ontem (30) a gravidade da situação em que se encontra o Hospital Siderúrgica, anunciada na última quarta-feira pelo prefeito Chico Simões (PT).
De acordo com Reynaldo Damasceno Gonçalves, diretor administrativo da ABSSS, entidade responsável pelo Hospital, a crise, agravada em 2010, continua, mesmo com ajudas externas. Uma consultoria realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) deixou claro que o momento é de apreensão.
Os dados contidos no documento apontam que a solução para o hospital se manter é obter uma forte injeção de recursos e que, para se manter, necessita que cinco fatores se concretizem: a liberação de dinheiro dos Governos Federal e Estadual para manutenção, verba para construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e recursos do Governo Municipal. Atualmente, apenas este último vem acontecendo, mas segundo Reynaldo, não é suficiente para manter a entidade aberta. A consultoria do INDG afirma que o contrato com a Prefeitura Municipal só garante os atendimentos de urgência e emergência no Siderúrgica.
Ainda conforme o relatório, mesmo conseguindo todas as ajudas, o equilíbrio operacional da entidade só seria alcançado em julho do ano que vem. A projeção para os próximos quatro anos indica que, caso não se concretizem os projetos, o hospital terá prejuízos que ultrapassam os R$ 3 milhões.
REALIDADE
No momento, o hospital atende com capacidade reduzida. De acordo com informações confirmadas por funcionários do hospital, não há ortopedistas nem anestesistas atendendo e os plantões nem sempre são feitos por falta de profissionais. Até mesmo clínicos gerais chegam a faltar no hospital. "Ninguém quer trabalhar sem receber", afirmou uma atendente que não quis ser identificada.
Reynaldo Damasceno confirmou que os salários dos médicos estão realmente atrasados, mas que os funcionários têm recebido em dia.
APOIO ESTADUAL
A direção da ABSSS aguarda ainda uma resposta do Governo Estadual sobre a liberação de um aporte financeiro no valor de R$ 3 milhões para a entidade. Espera-se que a resolução seja dada nesta sexta-feira (1º).
Não é a primeira vez que o Siderúrgica recebe repasses do Estado. Em julho do ano passado, após o hospital ter ficado três meses de portas fechadas, realizando somente internações, um convênio foi assinado com a Secretaria Estadual de Saúde, que disponibilizou R$ 1,7 milhão para o retorno das atividades, pagamento de funcionários antigos e contratação de novos.
UPA
Em reunião com representantes do Ministério da Saúde, em Brasília, em fevereiro deste ano, foi solicitada uma verba para construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Coronel Fabriciano.
A UPA funcionaria anexa ao Hospital Siderúrgica, em uma iniciativa que, de acordo com Chico Simões, possibilitaria o uso do corpo clínico do hospital nos atendimentos menos graves.
Segundo informações dadas pela direção da ABSSS, a construção da Unidade estaria aprovada, faltando apenas a liberação dos recursos para a construção da unidade hospitalar.
DP on line
Da redação do Plox
Comentar