O Teatro do Centro Cultural Usiminas recebeu lotação máxima na noite da última terça-feira (16). Na oportunidade, cerca de 700 participantes – entre graduandos, docentes e profissionais da saúde do Brasil e Estados Unidos – estiveram reunidos no Seminário Internacional da Saúde, realizado pela Faculdade Presidente Antônio Carlos de Ipatinga (Unipac).
Resultado de uma grande parceria entre a Unipac Ipatinga e a Universidade do Estado de Nova Iorque (SUNY) – campus Buffalo, o evento adotou a temática “Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a deficiência”.
Na abertura do Seminário, o diretor acadêmico da Unipac Ipatinga, Júlio César Alvim, ressaltou que o evento é um desafio que desperta e confunde sentimentos de realização, responsabilidade e esperança. “Realização porque o evento encerra uma série de atividades desenvolvidas em conjunto com a comitiva da Universidade Estadual de Nova York. Responsabilidade porque uma das recomendações do Relatório Mundial da Deficiência publicado pela OMS é divulgar de forma ampla informações sobre a deficiência, e, dessa forma, contribuir para a disseminação do conhecimento nesta área. Esperança porque o relatório da OMS oferece uma análise de diversas experiências que contribuíram para melhorar a vida de pessoas com incapacidades”, pontuou.

A primeira palestra da noite foi proferida pelo professor PhD. John Stone, diretor do Centro de Intercâmbio Internacional em Reabilitação do Ministério da Saúde dos EUA, integrante da comitiva da Universidade do Estado de Nova Iorque (SUNY) – campus Buffalo (EUA). O docente falou sobre o tema “World Report on Disability - Relatório Mundial sobre a Deficiência: relevância para clínica, pesquisa e efetivação de direitos”.
Durante a palestra, John Stone ressaltou que o relatório foi atualizado em conjunto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Banco Mundial. “O trabalho possui nove capítulos e foi desenvolvido em quatro anos por 370 profissionais de 70 países. Esta foi a primeira vez, em 40 anos, que o relatório foi revisado,” comentou o professor, que participou da edição de um dos capítulos do documento.
Segundo a OMS, pessoas com deficiências são as que mais sofrem desvantagem social e econômica e têm seus diretos negados em muitos países. Cerca de 80% das pessoas com deficiência vivem em países de baixa renda. Contudo, existe pouca informação científica disponível sobre assunto. Nesse sentido, o relatório aborda a necessidade de dados confiáveis e do desenvolvimento de pesquisas de melhor qualidade. O documento é uma atualização sobre o que aconteceu nos últimos 40 anos e explora as evidências atuais, incluindo as diferentes situações de discriminação e barreiras, oferecendo uma análise de diversas experiências que contribuíram para melhorar a vida de pessoas com incapacidades quanto à saúde, reabilitação, serviços de apoio, infraestrutura, transporte, educação e emprego.
O relatório
Segundo o professor PhD. John Stone, entre as principais evidências analisadas e as recomendações descritas no relatório estão as barreiras no atendimento e acessibilidade das pessoas com deficiência. “As limitações causadas pelos ambientes inacessíveis e o alto custo de recursos para locomoção também estão entre os grandes problemas que as pessoas com deficiência encontram em seu cotidiano”, lembrou o docente. Nesta perspectiva, John Stone também ressaltou que a acessibilidade remete a outra evidência relatada no documento: a saúde das pessoas com deficiência. “A condição causa doenças secundárias associadas à deficiência, tais como, depressão, dores, osteoporose, úlceras, entre outras”, revelou o especialista.
John Stone enfatizou que as recomendações do Relatório da OMS visam ações de melhoria da acessibilidade (espaço físico), eliminar a discriminação, redução dos custos dos equipamentos necessários para locomoção, qualidade dos serviços de saúde oferecidos às pessoas com deficiência e treinamento dos profissionais de saúde.
Aluna do 4º período de Biomedicina da Unipac, Aline Cardoso destacou a importância do tema Deficiência no Seminário Internacional da Saúde. “Essa discussão agrega muito conhecimento para profissionais da área da saúde, sobretudo porque esse assunto tem sido comum nos campos de atuação profissional”, comentou a estudante.
Linguagem uniforme
Entre as recomendações do relatório está a CIF, assunto tratado no evento pelo palestrante Peterson Marco de Oliveira Andrade. O docente, doutorando em Neurociências e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou o tema “A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF-OMS) e o Trabalho Interdisciplinar no Sistema Único de Saúde (SUS)”.
O doutorando revelou que a CIF foi traduzida para o português em 2003, com objetivo de contribuir com a formação dos profissionais da área de saúde, além de otimizar a prestação dos serviços. “Um dos objetivos da OMS é construir Classificações Internacionais de Saúde que sejam instrumentos padronizados para serem utilizados pelos gestores, gerentes, usuários e profissionais da área, visando à formulação de uma linguagem uniforme para as categorias da saúde”.
“A CIF e sua utilização no SUS deve ser trabalhada de forma interdisciplinar. Nos pontos de vista clínico, administrativo e pedagógico, tem a função de auxiliar na definição dos diagnósticos, análise dos prontuários, avaliação das funcionalidades, organização da equipe de reabilitação e avaliação de estagiários. A CIF engloba também o treinamento dos profissionais para sua utilização”, ressaltou Peterson.
Gislaine de Cássia Gonçalves cursa o 2º período de Psicologia na Unipac Ipatinga. Com as palestras, a aluna revelou que aprendeu um pouco mais sobre uma das questões trabalhadas na sua graduação: a deficiência. “O Seminário me trouxe curiosidade em estudar sobre a reabilitação sob o ponto de vista psicossocial, área muito trabalhada no meu curso”, pontuou.
Trabalho e emprego
Outro assunto abordado no Seminário Internacional da Saúde foram os “Aspectos legais da inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho”, pelo promotor de justiça da Comarca de Ipatinga, Walter Freitas Júnior. O especialista utilizou de uma das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para tratar de questões relativas à deficiência.
Segundo o promotor, a OIT estima que as pessoas com deficiência representem 85% da população economicamente ativa do planeta. “A convenção define como deficiência cuja possibilidade de conseguir, permanecer e progredir no emprego é substancialmente limitada em decorrência de uma reconhecida desvantagem física ou mental”, explicou.
Walter lembrou que a OIT assegura que existam medidas adequadas de reabilitação profissional ao alcance de todas as categorias de pessoas deficientes, o que possibilita oportunidades de emprego para as pessoas deficientes no mercado de trabalho. “A convenção tem como base o princípio de igualdade de oportunidades entre os trabalhadores deficientes e dos trabalhadores em geral, o que nem sempre é respeitado”, destacou Walter Freitas Júnior.
Da redação do Plox
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