segunda-feira, 30/07/2012

TRAGÉDIA: acidente com bimotor mata oito pessoas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira

Vítimas foram veladas neste domingo em Contagem


Juiz de Fora. O cenário do acidente que matou oito pessoas era de destruição. Além do vão que se abriu na mata fechada, da aeronave restaram apenas dois assentos e uma roda. A maior perda, no entanto, foi a humana. Entre os mortos na queda de um avião bimotor, na manhã de sábado, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, estavam dois altos executivos da Vilma Alimentos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave modelo King Air B200, com prefixo PR-DOC e capacidade para dez passageiros, bateu no quiosque da pousada Aconchego de Minas, atingiu a fiação elétrica, algumas árvores, caiu na área de mata fechada de um sítio e depois explodiu.

Dentre as vítimas estavam o presidente da Vilma Alimentos, Domingos Costa, o filho dele, Gabriel Costa, 14, e o vice-presidente de Vendas e Marketing da empresa, Cezar Tavares. Também morreram o piloto e co-piloto da aeronave e outros três funcionários da empresa, que tem sede em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Fotos do acidente: Fotos: LEO FONTES / O TEMPO




Susto. O acidente aconteceu por volta das 8h da manhã de sábado, 50 minutos depois do avião deixar o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e a 1 km do terminal onde pousaria.
O relato dos 58 hóspedes da pousada onde o quiosque foi atingido é de que o barulho foi ensurdecedor. Por sorte, eles nada sofreram. No sítio onde a aeronave caiu, não havia ninguém.
"Muitos hóspedes foram embora. Nós estamos todos muito assustados e tristes com as mortes", contou o recepcionista da pousada, Pércio Vieira, 52. "Foi uma cena horrível. A nossa vontade era de ajudar as pessoas lá, mas o que a gente poderia fazer depois da explosão?", disse Pâmela Piazza, 26, gerente comercial.

A assessoria da Vilma Alimentos informou que as vítimas participariam de uma convenção de vendas da empresa em um auditório cedido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com representantes da filial de Juiz de Fora, durante todo o fim de semana. por meio de nota, a direção da empresa lamentou a morte de seus funcionários. Dois diretores e o advogado da empresa, Leonardo Ferreira Frizon, foram até Juiz de Fora para acompanhar os trabalhos da perícia. O advogado informou que a empresa irá prestar todo o apoio para as famílias das vítimas e também indenizá-las.

Dois familiares dos mortos também estiveram na cidade, mas não quiseram falar com a imprensa.


Altitude teria causado queda
Advogado da Vilma defende piloto e diz que ele era muito experiente
FOTO: ANGELO PETTINATI

Caixa preta. Equipamento foi recolhido;  ele vai revelar as conversas entre piloto e co-piloto; além dos comunicados aos passageiros

Juiz de Fora. As causas do trágico acidente que deixou oito mortos ainda serão investigadas pelo Serviço Regional de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). Apesar disso, uma perícia preliminar da Polícia Civil indicou como provável causa a baixa altitude da aeronave, que voava a 100 pés (30,4 m) - o recomendável pela Agência Nacional da Aviação (Anac) é uma altura mínima de 600 pés (182,8 m). Além disso, os responsáveis pelo aeroporto informaram que as condições climáticas não eram favoráveis para o pouso.

Na tarde de ontem, dois peritos do Seripa vieram do Rio de Janeiro para realizar trabalhos de perícia. Eles recolheram a caixa preta e os destroços do avião. Segundo o coronel Paulo Santos, a expectativa é conseguir recuperar os últimos 30 minutos de conversa gravados na caixa preta. "As conversas entre piloto e co-piloto, e também a comunicação deles com a torre de rádio podem nos ajudar a esclarecer o que motivou a queda", disse. Não há previsão de data para a conclusão das investigações.

A hipótese de falha humana não foi descartada pelas investigações. Segundo o diretor do Aeroporto Francisco Alves de Assis, Cipriano Magno de Oliveira, o piloto Jair Barbosa, 62, foi informado de que o tempo estava fechado em Juiz de Fora, havia bastante neblina e um princípio de nevoeiro na região do aeroporto. Mesmo assim, ele teria decidido realizar o pouso, em comunicado feito as 7h45.

"Fizemos seis contatos informando as condições do clima e nos certificando de que ele seguia os mapas. Estava tudo certo. Ele não se queixou de problemas na aeronave e decidiu pousar", disse Oliveira. Ainda segundo ele, a torre de rádio do aeroporto se comunicou pela última vez com o bimotor às 7h50. Onze minutos depois, o avião caiu.

Segundo o advogado da Vilma Alimentos, Leonardo Ferreira Frizon, o piloto do bimotor era um profissional experiente e de inteira confiança do presidente da empresa, Domingos Costa. "Posso garantir que o Jair era um profissional exemplar, inclusive com formação superior na área meteorológica. Ele dava aulas disso e tinha anos de prática".

Conforme o técnico de segurança de voo Reinaldo Bertolini, ao contrário de aviões comerciais, os particulares não precisam de autorização da Anac para decolar ou pousar em aeroportos brasileiros. "Presume-se que o piloto tenha capacidade para decidir se as condições de clima e pista são idéias".


Com O Tempo
 

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