sábado, 25/06/2011

Uso de Botox dificulta o reconhecimento de emoções alheias

A toxina botulínica tem sido usada na cosmetologia para paralisar os músculos e evitar as rugas. Muito já foi dito sobre o uso do Botox deixar o paciente com a expressão "congelada". Pois, agora, cientistas descobriram que as pessoas que fazem uso de Botox têm dificuldade de interação porque não conseguem mais perceber as emoções nos rostos alheios.

A ideia da pesquisa assinada pelo professor de psicologia da University of Southern California David Neal e Tanya Chartrand, professora de marketing e psicologia da Duke University, partiu de um estudo realizado nos anos 1980 que descobriu que homens e mulheres juntos há muito tempo começavam a ficar parecidos um com o outro, especialmente se o casamento fosse feliz. "Então, pensamos: o que vai acontecer agora que existe o Botox?", diz Neal.

Há muito se sabe que nós, inconscientemente, imitamos as expressões de nossos interlocutores, e essa repetição, então, gera um sinal que vai do que o rosto expressa até o cérebro. Finalmente, esse sinal permite que o ouvinte entenda o que a outra pessoa sente ou quer dizer.

Embora os dois primeiros passos desse processo tenham sido estabelecidos em pesquisas anteriores, ainda não era claro se a repetição das expressões faciais realmente ajudava as pessoas a fazerem julgamentos melhores sobre as emoções dos outros. Daí a importância do usuário de Botox, um novo espécime de laboratório. E, como grupo de controle, foram usados pacientes com Restylane, um produto para preenchimento que não altera as funções musculares.

Em uma das experiências, mulheres que tinham recebido injeções de toxina botulínica nas duas semanas anteriores receberam uma oferta de US$ 200 para ligar fotografias de olhos a uma lista de emoções. O grupo de controle recebeu a mesma tarefa. As usuárias de Botox foram significativamente menos eficazes em decodificar tanto expressões positivas quanto negativas do que aqueles que tinham feito preenchimento.

Uma segunda experiência descobriu que pessoas com expressões amplas são melhores em decifrar emoções. Participantes receberam uma aplicação de gel no rosto que os obrigava a fazerem mais força para criar expressões de emoção e foram mais bem-sucedidos para identificar as emoções dos outros.

Fabricante do produto contesta dados da pesquisa dos EUA

São Paulo. Por meio de nota, a Allergan, fabricante do Botox, contestou os resultados da pesquisa norte-americana. Para a empresa, o estudo não apresenta uma base de comparação segura e carece de informações científicas.

Ainda de acordo com a empresa farmacêutica, os resultados são questionáveis pelo fato de a quantidade de Botox aplicada variar conforme a vontade do cliente. Nem todos os pacientes ficariam com a musculatura paralisada a ponto de as expressões faciais deixarem de existir.

Para a Allergan, o estudo não apresenta controle clínico adequado, pois os pacientes já tinham recebido aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial antes de participarem do estudo. "Portanto, não há maneira de avaliar se houve mudança em relação às emoções a partir do resultado do tratamento. É possível que essa diferença já existisse antes", declara.

Em sua defesa, a empresa informou haver testes realizados na Áustria e na Alemanha mostrando que pessoas que têm Botox conseguem identificar as emoções alheias tão bem quanto as que não têm.

O TEMPO

 

Da redação do Plox


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