Há dois meses sob a custódia do Estado, uma adolescente de 14 anos, que era mantida em um abrigo na região metropolitana de Belo Horizonte, foi transferida sem o conhecimento dos pais e da Secretaria de Defesa Social (Seds) para um novo abrigo. A jovem fugiu do local na madrugada da última quarta-feira e, até ontem a noite, seu paradeiro era desconhecido.
A menina, que é viciada em crack desde os 12 anos e foi jurada de morte por traficantes, chegou a passar em casa logo após a fuga, mas saiu depois que a mãe foi ao juizado buscar documentos da garota. "Levei um susto danado. A promessa que o Estado fez é que iam cuidar da minha filha até a levarem para tratamento em São Paulo. Agora, a deixaram a mercê da própria sorte", contou a mulher. A jovem machucou os braços durante a fuga - ela pulou um muro - e estava sem nenhum documento quando apareceu em casa.

O tratamento da adolescente foi uma conquista inédita em Minas Gerais, concedida através de uma determinação expedida pelo juiz Marcos Flávio Lucas Padula, da Vara Cível da Infância e Juventude de Belo Horizonte, em julho.
Com um histórico de mal-comportamento, a menina se envolvia frequentemente em brigas com as internas do abrigo onde a família acredita que ela estivesse . A última delas, no domingo, levou a coordenadora do local a acionar a Justiça e pedir a transferência da menina, conforme contou a mãe.
A garota foi, então, levada pelo Juizado da Infância e da Juventude para o novo abrigo na região metropolitana de Belo Horizonte, mas sem noticiar a família e o Estado. No local, segundo relatos da menina à mãe, havia uso de drogas e prostituição. "Ela disse que fugiu porque não queria voltar para as drogas, e o lugar era horrível", disse a mãe.
De acordo com a assessoria do Juizado da Infância e da Juventude, o processo corre em segredo de Justiça e, por isso, nenhuma informação pode ser divulgada, inclusive sobre o motivo de não informar os pais da interna sobre sua transferência. A Sedes informou que a transferência foi feita pela Justiça e que não foi comunicada. Ainda de acordo com o órgão, a família foi contactada e o Estado providencia um novo local para a internação da menina.
o tempo
Da redação do Plox
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