Dupla personalidade
Lolita, 5 anos, é um beagle extremamente dócil, sempre de lacinho na cabeça e um ar todo angelical. Mas sempre que a professora Andrea Lima, 27 anos, entrava na casa do seu namorado, a cachorrinha se transformava. Latia o tempo inteiro pra mim. Era só eu sentar no sofá ao lado dele que ela virava uma fera. Até xixi na minha bolsa ela já fez, conta ela. Ciúmes, claro.
Esse tipo de situação é muito comum. Afinal, animaizinhos de estimação também podem ter crises homéricas de ciúmes. Isso acontece principalmente com namoradas e namorados. A atenção dirigida ao cão muda de foco. E ele passa a associar a perda com a aproximação da pessoa, explica Wagner Zoriki, consultor e adestrador da Cão Cidadão.
Fura-barato
O designer Antônio Dias, 33 anos, tentou de tudo para que o furão de estimação passasse a gostar da nova esposa dele. Quando fomos morar juntos, foi uma confusão. O Toby destruiu a casa, quer dizer, as coisas da minha esposa. Ela se esforçava, tentava brincar, ser carinhosa. Mas ele rejeitava qualquer aproximação, conta ele. Essa reação do animal passou a afastar ainda mais a companheira de Antônio. Especialmente quando ela viu todas as suas maquiagens destruídas no chão do quarto.
Mas sentir raiva e repulsa do bichinho não ajuda em nada. Pelo contrário, só vai atrapalhar a convivência de vocês. Ele precisa entender que a sua presença também pode ser sinal de bem-estar. Ofereça coisas gostosas sempre que você se aproximar do seu namorado, explica o consultor. Mas cuidado: o petisco deve ser oferecido antes de o comportamento indesejado acontecer, lembra Wagner. Caso contrário, você estará gratificando a malcriação do bichinho.
Gata arisca
A gatinha vira-lata Meg, 2 anos, odiava receber qualquer tipo de visita. Escondia-se e ficava toda arisca, principalmente quando a funcionária pública Giovanna Lessa, 33 anos, aparecia para dormir na casa do seu namorado. Ela entrava atrás da geladeira e só saía quando eu ia embora. Tentar um carinho? Nem pensar! Ela partia para a agressão no primeiro sinal de contato, lembra ela.
Apesar da fama de metidos e independentes, gatos também gostam de companhia e dão muito valor a isso. Passar um bom tempo com eles ajuda a tornar a convivência mais harmoniosa. Deixar o gato dormir com você é uma boa tática. Ainda mais se ele está acostumado a fazer isso com o seu namorado, explica os adestradores do Cão Cidadão. Mas prepare-se! É bom você não se mexer muito na cama. Felinos costumam pular fora com qualquer incômodo.
Como reagir
Não é só você que precisa mudar os hábitos para ser aceita no lar. Uma boa parte da responsabilidade cabe ao dono do animal. O seu namorado precisa mostrar ao cãozinho, gatinho, passarinho ou peixinho quem é o dono de quem. Quem deve sempre dar a bronca é a pessoa protegida e não a atacada. E vale lembrar que a presença do estranho deve sempre estar associada a algo agradável.
Um treino muito simples, para não precisar brigar com o bichinho, pode fazer toda a diferença. O dono deve intensificar a atenção e o carinho ao animal quando alguém se aproximar. E deve tratá-lo com indiferença quando a outra pessoa se afasta. Assim ele passará a associar ganho à aproximação de pessoas, explica Wagner.
IG
Da redação do Plox
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