sexta-feira, 21/11/2008

Abuso de analgésicos pode levar à dor de cabeça diária

Segundo estudo realizado pela Universidade de São Paulo, 27% da população sofre de dor de cabeça crônica. Ou seja, quase um terço dos brasileiros sente dor de cabeça mais de uma vez por mês, há mais de seis meses. A reação comum é não dar a importância devida e, sem procurar o médico, se automedicar. Mas o presidente de honra da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Dr. Edgard Raffaelli Júnior, um dos mais respeitados especialistas do Brasil, faz um alerta para quem sofre de dores de cabeça: “Os analgésicos tomados de vez em quando, cumprem o seu papel, mas quando tomados com freqüência maior do que quatro vezes ao mês, ao invés de curar, podem ser causadores de dor de cabeça”. Um doente de enxaqueca, por exemplo, passará a sofrer os efeitos colaterais das altas doses de analgésicos, e pode desenvolver até mesmo a temível cefaléia crônica diária, fase da doença em que o retorno à vida normal é extremamente difícil.

 

O Dr. Raffaelli explica como isso ocorre: “O cérebro e a medula espinhal, que constituem o sistema nervoso central, têm em seu interior células que produzem uma substância chamada endorfina, capaz de abolir dores e produzir a sensação de bem-estar. Quando há um estímulo produzido pela dor, são liberadas endorfinas que vão atuar na região afetada, anulando a dor. Se o paciente toma um analgésico, ele desobriga o sistema nervoso central de produzir endorfina para aquela dor. Se o paciente tomar muitos analgésicos, a produção de endorfina cai e o paciente fica dependendo só dos analgésicos, tendo, ao passar do tempo, que aumentar a quantidade de analgésicos até que eles param de funcionar. Nessa fase, portanto, o paciente passa praticamente a viver com dor de cabeça, pois passa o mesmo tempo ou mais com a dor do que sem ela. Pode-se dizer que aí o paciente desenvolveu a chamada cefaléia crônica diária”.

 

Antes de chegar nesta fase, porém, o paciente acaba convivendo com os efeitos colaterais relacionados aos analgésicos consumidos por ele. Segundo a neurologista Dra. Renata Parissi Buainain, “cada paciente reage de uma forma de acordo com cada medicação, mas quanto maior for a quantidade de comprimidos ingeridos, maiores são os riscos de o paciente sofrer os efeitos colaterais”. As substâncias que mais freqüentemente são utilizadas em excesso são os analgésicos comuns, os ergotamínicos (classe de analgésicos específicos para enxaqueca) e medicações que trazem associações de drogas. “O consumo exagerado de ergotamínicos, por exemplo, pode levar a uma intoxicação”, alerta a médica.

 

Outro erro cometido pelo paciente em relação à cefaléia crônica diária, além do uso abusivo de analgésicos, é tolerar a dor. “Muitos pacientes não procuram o médico, agüentando a dor de cabeça, partindo do pressuposto de que cefaléia não tem cura”, conta o Dr. Raffaelli. Mas, segundo ele, não há motivo para o paciente chegar a esse ponto. “Se diagnosticada e tratada a tempo, e de maneira adequada, muitas dores de cabeça, inclusive a enxaqueca, têm cura. A conduta correta a tomar, então, é procurar tratamento médico e evitar a automedicação”, completa o especialista.

 

 

Universo da Mulher

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