Dia Mundial de Combate à DPOC leva avaliação pulmonar às ruas para conscientizar sobre doença que mata 4 brasileiros por hora.Campanha nacional de alerta para o problema terá ações em 7 cidades brasileiras e adotará como ícone a escada. Além de informações, fumantes e ex-fumantes poderão fazer avaliação pulmonar gratuita.
Falta de ar, dificuldade para caminhar, às vezes, impossibilidade de subir uma escada. Estes são alguns dos sintomas da DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, problema respiratório que mata mais de 4 brasileiros a cada hora e, que infelizmente ainda não tem cura. No entanto, pode ser evitado e controlado quando diagnosticado precocemente. Estas são as principais mensagens que a população receberá no dia 19 de novembro, numa mobilização nacional pelo Dia Mundial de Combate à DPOC. A data será marcada por uma campanha de conscientização. Além disso, artistas plásticos regionais são convidados a customizarem uma escada de 4 metros de altura, que representa os desafios do portador de DPOC.
A campanha ocorrerá simultaneamente em sete cidades: Brasília, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. Das 8h às 18h, em um ponto estratégico de cada cidade (veja quadro abaixo), a população poderá conhecer mais sobre a doença e ainda passar por uma avaliação pulmonar, que pode indicar a ocorrência da enfermidade. O objetivo é conscientizar toda a sociedade, mas com uma atenção especial aos fumantes e ex-fumantes com mais de 40 anos, considerados o principal grupo de risco da doença.
A DPOC é a nova nomenclatura para classificar a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, manifestados separadamente ou em conjunto. De acordo com o Consenso Brasileiro de DPOC, a doença afeta atualmente cerca de 5,5 milhões de brasileiros. Segundo o Datasus, no Brasil ocorrem cerca de 39 mil mortes por DPOC por ano, o que corresponde a 110 óbitos por dia, 4,5 mortes por hora ou uma morte a cada 12 minutos. A DPOC não tem cura, mas ao ser diagnosticada e tratada de forma adequada, é possível controlar os sintomas e proporcionar ao paciente uma vida normal.
O evento é organizado pelas Sociedades Brasileira e Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SBPT e SPPT), pela Associação Brasileira dos Portadores de DPOC e pelo GOLD (Global Obstructive Lung Disease Initiative), com apoio dos laboratórios Boehringer Ingelheim e Pfizer. Diversos estados brasileiros já adotaram um protocolo clínico para o tratamento da DPOC, com diretrizes que possibilitam aos pacientes o acesso a medicamentos de última geração, como por exemplo, o brometo de tiotrópio, broncodilatador de uso diário, para o controle da doença. O grande desafio, contudo, é conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce para garantir a estabilização do quadro clínico e mais qualidade de vida ao paciente.
A doença
A DPOC é um problema respiratório grave, que pode ser incapacitante, causado principalmente pelo tabagismo. A doença é caracterizada por sintomas como tosse, produção de catarro e falta de ar. Por ser progressiva, em casos mais graves, o problema faz com que tarefas simples do cotidiano - como tomar banho ou se vestir – tornem-se cansativas para o portador de DPOC, que, em estágios avançados, passa a depender de um cuidador 24 horas por dia e, às vezes de oxigenoterapia em tempo integral.
De acordo com dados do SUS, em 2006, a doença provocou 173.162 internações, sendo que 9.533 destes pacientes faleceram. Atualmente, a incidência da doença é igual em homens e em mulheres. A DPOC apresentou um crescimento de 340% nas últimas duas décadas, segundo dados da Associação Latino-Americana de Tórax (ALAT) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Atualmente, o tratamento da doença está disponível na rede pública de Saúde no estado de São Paulo, Bahia, Pernambuco e em Brasília.
Tratamento
Assim como outras doenças crônicas, a DPOC pode ser controlada, mas o sucesso no tratamento está intimamente ligado à precocidade do diagnóstico. Inicialmente é preciso eliminar ou reduzir a irritação pulmonar - seja ela provocada pelo cigarro ou pela aspiração de fumaça e resíduos – e iniciar o uso de medicamentos broncodilatadores. Dados publicados apresentados no último Congresso da European Respiratory Society mostram que o tratamento à base de brometo de tiotrópio - medicamento desenvolvido especificamente para o controle da doença - reduz a mortalidade por DPOC enquanto os pacientes fazem o uso da medicação além do número de exacerbações (crises) e internações. O medicamento proporciona melhora sustentada da função pulmonar e da qualidade de vida do paciente.
Ao mesmo tempo, o paciente deve participar de um programa de exercícios que promovam a sua reabilitação pulmonar. Outra terapia auxiliar é a oxigenoterapia (inalação direta de oxigênio com auxílio de máscara ou sonda), que previne complicações e aumenta a expectativa de vida dos pacientes graves.
Universo da Mulher
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