quarta-feira, 01/10/2008

Pesquisa revela que homens sofrem com a TPM feminina

Segundo os resultados de uma pesquisa com mais de 1,6 mil brasileiros, os homens também sofrem com a TPM (Tensão Pré-menstrual) manifestada pelas mulheres com quem convivem. Dos 527 homens entrevistados, 84,1% afirmaram conhecer alguma mulher com TPM. Na opinião deles, a síndrome pré-menstrual interfere de maneira significativa no relacionamento amoroso e nas relações familiares da mulher. Apesar da facilidade em reconhecer os sintomas e o impacto destes na qualidade de vida das parceiras (72,7% disseram que viviam ou já tinham vivido com mulheres que tinham TPM), em geral, o público masculino declarou não saber qual seria a atitude mais adequada diante desta situação. O estudo “Tensão Pré-menstrual: Perspectivas e Atitudes de Mulheres, Homens e Médicos Ginecologistas no Brasil” foi realizado pelo CEMICAMP (Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas) e contou com o apoio da Bayer Schering Pharma.

 

Os resultados conclusivos mostraram que a maioria das mulheres, 80% do total de 1.053 entrevistadas, afirmam que têm ou já tiveram TPM. A maioria (78,9%) acredita que o parceiro (namorado ou marido) consegue perceber quando ela está na TPM, mas 11% ficam irritados e sem paciência, 39,4% saem de perto ou são indiferentes, enquanto 54,8% tentam entendê-la sem brigar. ”Mas o público masculino se considera mais compreensivo do que as mulheres acham, pois 62,1% disseram que conseguem entendê-las nesse período”, analisa o ginecologista Carlos Alberto Petta, coordenador da pesquisa e professor de Ginecologia da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).
Enquanto 54,6% das mulheres disseram que os sintomas da TPM interferem no seu namoro ou casamento, esse índice sobre para 84,4% na opinião dos homens. Apesar de aproximadamente 40% das mulheres afirmarem que o impacto acontece nas atividades da casa, no trabalho, nas atividades sociais ou nos relacionamentos familiares, os homens acreditam que essa influência é bem maior: 77% nos relacionamentos familiares, 72% no trabalho, 69,1% nas atividades sociais, 68,7% nas atividades de casa e 60,1% nos estudos. “As opiniões divergentes demonstram que, mais do que imaginávamos, o público masculino sente ‘na pele’ os reflexos da TPM”, analisa Petta.
O impacto negativo da TPM parece acontecer com maior intensidade e freqüência nas mulheres que apresentam, ao mesmo tempo, manifestações físicas e emocionais. Tanto é que, na comparação com aquelas que sentem apenas um tipo de sintoma, elas respondem pelo maior percentual de consultas médicas: 41,6% versus 15,4%, respectivamente. Outra conclusão foi que apesar das queixas freqüentes, as principais estratégias mencionadas para lidar com as manifestações da TPM foram a conversa com outras mulheres, principalmente familiares e amigas, ou simplesmente “esperar passar”. Apenas 35,7% mencionaram que conversam com o médico sobre o tema ou, em 28,7% dos casos, com o marido ou namorado. “No relacionamento a dois, a pouca conversa parece estar relacionada a dois fatores principais: a falta de abertura das mulheres para o diálogo e o desconhecimento dos homens sobre o que falar ou fazer, apesar de demonstrarem disposição para ajudar a parceira”, explica o médico.  
O que a pesquisa mostrou 
          A maioria das mulheres afirma que tem ou já teve TPM.
          As mulheres, embora reconheçam tanto manifestações físicas quanto emocionais, enfatizaram mais as primeiras, e os homens pareceram reconhecer mais as manifestações emocionais.
          A manifestação conjunta de sintomas físicos e emocionais responde pelo maior impacto na qualidade de vida da mulher, principalmente no âmbito dos relacionamentos afetivos e no trabalho.
          Apesar das queixas freqüentes, mais da metade das mulheres nunca procurou atendimento médico. As principais razões são a idéia de que a TPM é passageira, a dificuldade de acesso à consulta médica e a percepção de que não há abertura para falar com o médico.
          Mais da metade dos homens reconhecem os sintomas da TPM e se mostram dispostos a ajudar, mas não sabem como fazer isso.
          A TPM ainda é pouco abordada entre médicos e pacientes, assim como entre homens e mulheres. 

 

 

 
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