Para especialistas, atividade física regular ajuda a proteger o cérebro
FOTO: CHERYL EMPEY / STOCKXPERT
Benefícios. Atividades físicas favorecem a queima de gorduras e o melhor funcionamento do corpo
Nova York, EUA. Para algumas pessoas, uma caminhada diária - cinco vezes na semana - de 30 minutos pode diminuir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer ou, pelo menos, atrasar a chegada do problema.
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Washington de Saint Louis, nos Estados Unidos, examinaram 201 adultos entre 45 e 88 anos, que faziam parte de um estudo do Centro Knight de Pesquisas em Alzheimer. Alguns apresentavam históricos familiares da doença, mas nenhum - no início da pesquisa - apresentava sintomas clínicos do mal de Alzheimer. Todos tiveram bons resultados nos testes de memória e de raciocínio.
Segundo Denise Head, professora adjunta de psicologia na Universidade de Washington, que conduziu o estudo, muitas pesquisas têm se concentrado na ligação entre o exercício e o Alzheimer, mas os resultados não têm sido consistentes. <CW-9>Enquanto alguns sugerem que o exercício regular exerce uma função protetora no cérebro, outros indicam que não há benefícios diretos do exercício à prevenção de Alzheimer.
Para a especialista, uma das razões do problema pode ser o fato de os estudos não levarem em conta a diferença entre portadores e não portadores do gene APOE-e4, uma variação de um gene envolvido no metabolismo do colesterol. "Todos carregamos o gene APOE, mas, em algumas pessoas, há uma evolução genética que muda o gene APOE para APOE-e4. Quem possui essa variante tem chances pelo menos 15 vezes maiores de desenvolver a doença de Alzheimer", explica.
No estudo mais recente, que leva em consideração essa diferença para o grupo total de voluntários, o exercício gerou apenas benefícios superficiais.
As pessoas que praticavam caminhadas ou faziam corridas com frequência - atingindo ou excedendo as recomendações da American Heart Association de 30 minutos diários de exercício moderado ou vigoroso, cinco vezes por semana - apresentaram um acúmulo menor da substância no cérebro ligada à doença que os voluntários que não praticavam exercícios físicos.
Mas o efeito preventivo do exercício foi pequeno para ambos os grupos, não levando a uma diferença estatística significante.
Parâmetro. A perda de memória e de identidade provocada pela doença assustam, pois não há parâmetros concretos quanto ao surgimento da condição, nem mesmo a respeito dos tratamentos comprovadamente eficientes.
Quando os cientistas analisaram separadamente os grupos de portadores e não portadores da variação e4, porém, os resultados foram surpreendentes.
A maioria das pessoas que possuíam a variação do gene APOE acumulou muito mais plaquetas amiloides - relacionadas ao Alzheimer - que aqueles com o gene não variante, a não ser que praticasse exercícios.
O estudo foi publicado no periódico científico "The Archives of Neurology".
Traduzido por Luiza Andrade
Diagnóstico
Substância revela a patologia
Nova York. Para realizar o estudo norte-americano, os pesquisadores fizeram tomografia por emissão de pósitrons, técnica avançada que examinou os cérebros dos voluntários, em busca por indícios das placas amiloides substância que se deposita no cérebro e indica a presença de Alzheimer e a progressão da doença.
A perda de memória nem sempre corresponde ao aumento na quantidade dessas placas no cérebro, mas cientistas consideram o aumento delas como risco de Alzheimer.
Após a primeira fase de exames, eles testaram os voluntários para verificar a presença da variante genética APOE-e4. Quem possui o gene tende a apresentar sintomas em idades mais jovens, começando a ter problemas por volta dos 60 anos. Pessoas que não carregam o gene desenvolvem sintomas por volta dos 80 anos. Dentre os voluntários, 56 apresentavam o gene.
No estudo, os voluntários preencheram questionários sobre os hábitos de exercício nos últimos dez anos. (GR/NYT)
O Tempo
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