A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode autorizar a venda, sob controle mais rígido, de remédios para emagrecer que contêm o inibidor de apetite sibutramina em sua fórmula. A informação foi publicada na edição de ontem da "Folha de S.Paulo". O parecer dos técnicos da Anvisa, segundo a "Folha", deve vetar derivados anfetamínicos como o femproporex e a dietilpropiona. Proibido na Europa e nos Estados Unidos, a sibutramina é comercializada no Brasil com os nomes comerciais como Biomag, Sibus e Slemfig.

A intenção de banir as drogas foi anunciada pela Anvisa em fevereiro, com base em estudos que indicam que a sibutramina pode aumentar as chances de problemas cardíacos em pacientes com fatores de risco.Mas, contrariando todas as expectativas geradas pela própria agência, um parecer técnico finalizado nesta semana decidiu liberar a venda da sibutramina. A nova posição será submetida à votação pela diretoria do órgão no dia 30.
Se aprovada a comercialização, pelas novas regras, o médico assinaria um termo de responsabilidade e o paciente também, certificando de que estaria consciente sobre os riscos do uso da sibutramina.
A Anvisa confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que diretores do órgão vão se reunir na próxima semana para tomar a decisão, mas não adiantou se a agência vai proibir ou manter a venda do remédio emagrecedor. O Conselho Federal de Medicina (CFM) prefere aguardar a decisão oficial da Anvisa para se pronunciar.
No último dia 11, o plenário do CFM divulgou nota alertando a sociedade e os profissionais sobre os riscos de uma possível suspensão do comércio de inibidores de apetite no país. O documento foi enviado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aos presidentes da Câmara e do Senado e a outras autoridades com o intuito de ampliar as discussões, "evitando maiores prejuízos ao bem-estar da sociedade".
No texto, o CFM lista suas considerações e faz um alerta geral. Nos últimos meses, as entidades médicas participaram de vários debates e reuniões sobre o assunto junto à Anvisa, mas entendem que seus argumentos estavam sendo desconsiderados.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Minas Gerais, Paulo Miranda, afirmou que o órgão é contra a proibição, mas a favor da regulação. "Não negamos os efeitos colaterais das medicações, mas o uso pode ser benéfico desde que seja com acompanhamento médico", diz. (Com Andréa Juste)
Três perguntas
Quais são os remédios emagrecedores que estão na lista avaliada atualmente pela Anvisa e
que podem ser proibidos no Brasil?
Na lista dos princípios ativos que podem ser proibidos estão sibutramina, anfepramona, pemproporex e mazindol, atualmente vendidos apenas com a apresentação da receita médica.
Por que a Anvisa resolveu rever a venda da sibutramina?
No início deste ano, a Anvisa apresentou uma proposta de cancelamento do registro desse tipo de remédio com base em estudos feitos fora do Brasil que indicam que a sibutramina pode aumentar a possibilidade de problemas cardíacos em pacientes com fatores de risco.
Qual é a posição do Conselho Federal de Medicina (CFM)?
O CFM defende que os remédios sejam liberados desde que haja normas mais rígidas para a venda desses produtos. Para o órgão, a interdição da venda dessas substâncias representa interferência direta na autonomia de médicos e de pacientes na escolha de tratamentos contra a obesidade.
O Tempo
Da redação do Plox
É preciso cuidado com a Sibutramina
A sibutramina é um ótimo medicamento para a perda de peso, mas ela não foi feita para isso e sim para auxiliar no tratamento da diabetes, pois tira a vontade de comer doce. Infelizmente os brasileiros passaram a utilizá-la como emagrecedor.
É preciso muito cuidado no consumo da sibutramina, principalmente por quem tem problemas cardíacos, pois ela aumenta o ritmo cardíaco, o que pode levar a um infarto.
O simples fato da sibutramina ser indicada por um médico, não quer dizer nada. É preciso fazer exames de sangue e cardíacos antes de tomar a substância para se ter certeza que é realmente seguro tomar o medicamento e mesmo assim algumas pessoas ainda se sentem mal.
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