No momento em que as unidades públicas de saúde e os consultórios particulares registram aumento no atendimento dos casos de conjuntivite viral aguda, médicos alertam para o risco da transmissão da doença através dos óculos 3D, distribuídos nas salas de cinema. Só na Santa Casa de Misericórdia, para onde são encaminhados os pacientes oriundos dos postos de saúde da capital e das unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), todos os dias, são registrados 150 novos casos da doença. O número é 20% maior do que a média diária de outras épocas do ano.
O oftalmologista Arnaldo Castro, que coordena o Departamento de Cirurgia Oftalmológica da instituição, alerta que os óculos podem servir como fonte de contágio não só da conjuntivite, mas de outras doenças oculares. "Óculos são um objeto comparável à escova de dentes. Não deve ser compartilhado nunca. Se, por um acaso, a esterilização dos óculos usados na sessão 3D não for feita de forma adequada, esses objetos podem, sim, ajudar a transmitir a conjuntivite".
O coordenador do serviço oftalmológico da Santa Casa salienta, no entanto, que outros fatores contribuem para a proliferação dos casos de conjuntivite nesta época do ano. "O aumento se deve ao fato de que, com o frio, as pessoas preferem ficar em locais fechados, com pouca ventilação". Causada por vírus, a conjuntivite provoca coceira, dor, inchaço e irritação nos olhos.

A preocupação aumenta porque a Vigilância Sanitária municipal confirma que não há fiscalização em relação à esterilização dos óculos, que passam de um usuário a outro a cada sessão nos cinemas.
Para o oftalmologista Arnaldo Castro, os objetos deveriam ser esterilizados com óxido de etileno, mas o ideal, explica, seria que as redes de cinema oferecessem óculos descartáveis. "Pessoalmente, não vou a sessões 3D. E recomendo aos meus filhos que adotem o mesmo comportamento", afirma o especialista.

A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do Departamento de Oftalmologia da Associação Médica de Minas Gerais, Geraldo Benício Siqueira. "As autoridades públicas já deveriam estar atentas a esse problema", afirmou.

Em nota, a Vigilância Sanitária da capital informou que ainda não há critérios para a fiscalização das formas de esterilização dos óculos. A fiscalização das salas de cinema, diz o texto da vigilância, leva em conta outros itens de segurança, como distância entre as cadeiras nos espaços de exibição dos filmes.
O TEMPO
Da redação do Plox
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