O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, disse que o último parecer técnico sobre a proibição dos inibidores de apetite deve sair em 15 dias. Barbano estima que, até agosto, o governo deve banir os medicamentos emagrecedores à base de sibutramina e de derivados de anfetamina (femproporex, anfepramona e mazindol) do mercado brasileiro.
Desde o início do ano, a agência estuda vetar o uso desses remédios no país. Inicialmente, a agência havia informado que a decisão sairia até 1º de março. Após críticas da classe médica (principalmente endocrinologistas), a Anvisa resolveu adiar a decisão e organizou debates sobre os prós e contras dos medicamentos. Segundo Barbano, se não houver "fatos novos", os relatórios contrários aos inibidores de apetite deverão prevalecer.

Ontem, a agência organizou o último debate sobre o assunto, em Brasília. Para Maria Eugênia Cury, que vai coordenar o grupo que fará o parecer final da Anvisa, as informações apresentadas até agora só reforçaram as conclusões anteriores, que apontavam que os inibidores de apetite representam risco para os pacientes. "Os endocrinologistas que fizeram apresentações (defendendo a sibutramina) também não trouxeram nenhum dado novo", disse.
O Brasil consome hoje cerca de 55% de toda a sibutramina produzida no mundo. Desde que o estudo "Scout"', publicado em 2009 no "New England Journal of Medicine", associou o uso de sibutramina a problemas cardíacos em obesos, o medicamento já foi proibido na Europa e nos EUA.

No Brasil, a polêmica divide a classe médica. Para o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o veto vai deixar "milhões de obesos desassistidos" no país. Já o diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Elisaldo Carlini, vê a proibição dos medicamentos como a única forma de controlar "o uso irracional" dos inibidores de apetite.
"Estamos distantes da solução" Paulo Miranda Endocrinologista - Pres. da Sbem/MG
A obesidade é uma doença multifatorial, complexa e de difícil tratamento por envolver fatores sociais, psicológicos e orgânicos. A medicação ideal para o seu controle ainda está por ser descoberta. A comunidade científica trabalha incansavelmente para atingir esse objetivo.
Contudo, ainda estamos distantes de uma solução. A posição da Sbem é contrária à suspensão da comercialização da sibutramina no Brasil por entender que médicos e pacientes têm plena condição de discutirem os riscos e benefícios do tratamento medicamentoso da obesidade.
Defendemos uma abordagem ampla do paciente com foco na mudança do estilo de vida, comprovadamente a melhor alternativa para ganho em saúde. Contamos, também, que a Anvisa cumpra seu papel regulatório, coibindo o uso indiscriminado e irregular desses medicamentos. Não podemos permitir que pacientes que se beneficiariam da medicação fiquem sem opções de tratamento.
O TEMPO
Da redação do Plox
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