A direção do Hospital e Maternidade Vital Brazil anunciou ontem (18) que só poderá realizar cirurgias eletivas a partir do mês de outubro. Até a data, só serão feitos na instituição procedimentos cirúrgicos em caráter de urgência e emergência. A medida não afetará as intervenções previamente agendadas. A situação se deve à sobrecarga de pacientes que o hospital vem recebendo, especialmente nos últimos dias, em decorrência da crise que atinge o Hospital Siderúrgica, em Fabriciano, que culminou com seu fechamento, na última sexta-feira (15).
Segundo Renato Araújo, diretor clínico do Vital, a falta de atendimento em Fabriciano refletiu no hospital timotense no último fim de semana. No sábado e domingo, cerca de 600 pessoas passaram pelo local, o que representa um aumento de 20% em relação ao período anterior à falência do Siderúrgica.
De acordo com Renato, todos os 81 leitos do Hospital estão ocupados e na sexta passada foi preciso pedir macas e respiradores emprestados a outros hospitais para que os pacientes pudessem ser atendidos. "O que estávamos prevendo, aconteceu", disse o médico.
O contrato celebrado entre a entidade e os governos estadual e federal prevê a realização de 104 cirurgias mensais por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o Vital Brazil vem fazendo uma média de 330 procedimentos por mês pelo sistema. Até setembro, porém, os agendamentos já foram completados, sendo impossível programar mais cirurgias.
PRONTO-SOCORRO
Abner Moreira, que coordena o pronto-socorro do Vital Brazil, explicou a situação daquela unidade. Segundo ele, a sala de emergência possui apenas dois leitos disponíveis e eles estão ocupados. Na última sexta, havia no hospital cinco pacientes necessitando desse tipo de atendimento.
A sala de observação, local onde são feitos apenas procedimentos básicos e que não deveria abrigar ninguém, tinha, nesta segunda-feira, nove pacientes. "Se alguém chegar aqui agora, não temos como internar", afirmou Abner.
DESCREDENCIAMENTO
Ainda na tarde de ontem, Vanide Alves, diretora administrativa do Vital Brazil, informou que a instituição já trabalha com a possibilidade de descredenciar dois de seus oito leitos direcionados a pacientes de urgência e emergência do SUS.
A medida é para tentar amenizar os prejuízos - na casa dos R$ 90 mil - que a Sociedade Beneficente São Camilo, mantenedora do Vital, vem amargando todos os meses. "A gente preferia não fazer isso. Na verdade o ideal seria aumentar o número de leitos", afirmou Vanide.
A decisão quanto ao descredenciamento deverá ser tomada ainda esta semana, pois o secretário adjunto de saúde do Governo do Estado, Wagner Eduardo Ferreira, irá visitar a cidade nesta terça-feira com o objetivo de conhecer as dependências, a estrutura e os problemas enfrentados pelo Vital Brazil. "Nós queremos saber o que o Estado vai fazer para nos ajudar", disse Renato Araújo.
Fora de emergência, Hospital só atende timotenses em agosto
A equipe de direção do hospital também informou que mantém a palavra quanto ao atendimento a pacientes de outras cidades fora dos quadros de urgência e emergência. A partir do dia 1º de agosto, somente os timotenses poderão procurar o Vital Brazil, assim como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Mesmo com a atitude, o coordenador do pronto atendimento do Vital Brazil, Abner Moreira, disse que o hospital se prepara para realizar uma "medicina de guerra", onde serão priorizados pacientes em estado extremamente grave. "Vamos absorver a demanda, mas não temos recursos para isso". Não receber mais pessoas de fora, segundo o médico, é uma forma de preocupação com o futuro: "se a gente não fizer isso, o próximo a fechar seremos nós".
Somente no último mês de junho, o Vital Brazil atendeu 362 pessoas e internou outros 142 vindos de outras cidades. No ranking de municípios atendidos, Coronel Fabriciano aparece em primeiro lugar. De acordo com a direção do Vital, mensalmente, o hospital tem um despesa de R$ 120 mil com os fabricianenses, mas não recebe nenhum aporte financeiro vindo de qualquer outro município.
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