Filme adapta quadrinhos do belga Hergé com intenso e eletrizante senso de ação e movimento na tela
FOTO: PARAMOUNT/DIVULGAÇÃO
Tintim e seu cãozinho Milu, parceiros em busca da resolução de um mistério
Segundo filme de Steven Spielberg a estrear este mês, "As Aventuras de Tintim" se inspira na série em quadrinhos do belga Hergé (1907-1983) e trabalha uma moderna técnica de animação para dar vazão às intrépidas andanças do protagonista.
Spielberg está em casa, bem mais do que no recente "Cavalo de Guerra", ainda em cartaz. A espontaneidade que emana da tela pode ter a ver com a origem do projeto: o diretor tem a ambição de um filme com Tintim há décadas e esperou o momento tecnicamente mais adequado para fazê-lo. Há paixão ali, das boas.
O jornalista aventureiro já começa o filme em ação, encantado pela réplica de um barco, algo que lhe dará bastante trabalho ao longo de toda a narrativa. O filme poucas vezes dá trégua ao espectador em sua ânsia por aventura e movimento, e isso fica ainda mais evidenciado no inteligente uso do 3D. Algo raro, a terceira dimensão é muito bem usada para dar profundidade a todo o universo recriado por Spielberg a partir dos traços originais de Hergé.
Ecos da saga de Indiana Jones ecoam aqui e ali, até pela despretensão e absoluta liberdade com que o cineasta vai desenvolvendo o enredo. O mote, em si, é tão absurdo quanto os desdobramentos, algo que pouco importa ao filme. Essa é a maior esperteza de Spielberg: saber que o material em suas mãos carece de intensidade, acima de qualquer outro elemento, porque é isso que move o próprio Tintim.
Apesar de por vezes frenético demais, "As Aventuras de Tintim" é coerente com seu personagem e com a essência da obra de Hergé.
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