Medo de escolher uma profissão e ficar desempregado — eis um fenômeno completamente compreensível em um país como o Brasil, que se diz alegre, brilhante e jovem, mas que, entre 1986 e 1996, teve um crescimento de 208% nos índices de desemprego entre jovens de 10 a 24 anos. Como não se assustar? Menciono o período de 1986 a 1996 para que fique claro que o desemprego não é algo atual, como muitos afirmam, mas, sim, um processo que vem tomando forma e dimensões imprevisíveis há algum tempo. Isso sem contar que essa estatística não inclui aqueles que já desistiram de procurar e os que não declaram que estão em busca de emprego.
Além disso, outro fenômeno que contribui para a problemática é o fato de que, no começo da década de 90, a maior parte da população brasileira já se concentrava nas cidades, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — PNAD — realizada em 1990 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE — em todo o país, exceto na Região Norte. A quantidade de pessoas que viviam na cidade era bastante semelhante à da parcela da população economicamente ativa (73%) — indivíduos que se encontram efetivamente no mercado de trabalho na condição de ocupados ou desempregados. Em 1999, quando foi realizada a última PNAD, cerca de 80% da população viviam nas cidades.
Em meio a tudo isso, os jovens se vêem obrigados a decidir por uma carreira num momento da vida em que ainda não têm muita experiência. Muitos sofrem forte influência da família, dos amigos e dos meios de comunicação e acabam realizando essa escolha com muitas dúvidas.

A grande assombração da maioria é o medo de tentar algo novo, mesmo que promissor. Estima-se que 80% dos vestibulandos se concentram numa acirrada disputa de vagas nos cursos de Medicina, Direito, Engenharia e Administração. O resultado disso é uma “explosão” de profissionais nessas áreas. Somente em São Paulo, por exemplo, o Conselho Regional de Medicina já possui mais de cem mil registros. Com os advogados isso também não é muito diferente. Grande parte deles não consegue arrumar serviço em sua área e trabalha em outros setores para ganhar a vida.
Por outro lado, em carreiras também importantes, valorosas e bem remuneradas, em áreas como telecomunicações, informática, entretenimento, turismo e biotecnologia, encontram-se muitas vagas sobrando e, pasme, faltam profissionais qualificados!
Profissões nas áreas de Farmácia, Bioquímica, Biologia e Zootecnia vão assumir uma importância cada vez maior por causa da explosão biotecnológica. A carreira médica foi uma excelente opção para ascensão profissional entre 1950 e 1960, mas, infelizmente não é todo mundo que percebe isso. E o pior é a falta de visão de muitos estudantes, que vão para a área biotecnológica achando-se fracassados. Isso é lamentável e retrógrado. Provavelmente, eles descobrirão, depois de formados, que vão desfrutar de um melhor padrão de vida e de maiores perspectivas profissionais não só aqui, mas no Primeiro Mundo, onde a futura explosão biotecnológica já teve seu início com a clonagem da ovelha Dolly.
O jovem que conseguir se desvencilhar do tradicional circuito Medicina—Direito—Engenharia—Administração poderá alcançar uma posição de grande destaque profissional, com muitas perspectivas e sem milhares de concorrentes acotovelando-se na hora da entrada no mercado profissional.