A história do uniforme escolar no Brasil, desde os primórdios do país até os dias atuais, está sendo apresentada em exposições instaladas na estação Sé do Metrô em São Paulo e em dois colégios de Belo Horizonte, Minas Gerais.
São 16 painéis fotográficos que resgatam a memória desse tipo de vestuário e da própria educação no Brasil, além de mostrar a influência da moda no uso de uniformes. Em São Paulo, a mostra está localizada no mezanino da entrada da estação Sé, logo após a passagem pelas catracas que dão acesso aos trens.
A exposição é resultado de um amplo trabalho de pesquisa no setor, comandado pela publicitária Isabel Pires. A pesquisa envolveu estudantes, pais e educadores, no sentido de se obter uma visão geral desse vestuário e suas relações com a evolução do ensino no Brasil.
Aos estudantes foi perguntado também como deveria ser o “uniforme ideal”. Com base nessas informações, o estilista Daniel Maia elaborou 10 uniformes-modelo, que atendem as expectativas dos entrevistados. Os desenhos estão retratados em um painel de 2,00 x 1,80m, com as respectivas amostras de tecidos sugeridas para a confecção desses modelos. Todo esse trabalho resultou na edição do livro A História do Uniforme Escolar no Brasil, com patrocínio da Rhodia e outras empresas ligadas ao setor de confecção de uniformes escolares.
A obra tem 240 páginas com 301 fotos e textos que contam a evolução dos uniformes escolares em nosso País, tendo como fio condutor a história do ensino brasileiro. O trabalho de pesquisa foi coordenado pela jornalista e pesquisadora Maria Alice Silveira Lima e pela produtora Isabel Pires, com consultoria de moda a cargo de Daniel Maia. O texto final é do jornalista e escritor Furio Lonza.
O livro foi lançado oficialmente em eventos São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, destinados a educadores, professores, diretores de escolas e profissionais do setor têxtil ligados ao segmento de uniformes escolares. Nesses eventos foram mostrados uniformes confeccionados pelas empresas Artestyl, Ciro Têxtil, Douat, Genyo, Jacyra e Marabá, a partir de filamentos têxteis em poliamida (náilon) da Rhodia, com consultoria de moda do especialista Daniel Maia.
Em nove capítulos, o estudo percorre a trajetória do uniforme escolar, destacando como a moda de cada época influenciou na escolha dos modelos utilizados pelas instituições de ensino brasileiro, desde a chegada dos jesuítas no Brasil, em 1550 e a abertura de classes de ensino nos vários núcleos habitacionais. O livro mostra também como a partir do século XX, os uniformes escolares ganharam sofisticação. Enquanto, os estudantes freqüentavam as aulas de terno completo e gravata, as meninas usavam vestidos elegantes.
Com a democratização do ensino no Brasil, nas décadas e 40 e 50, o uso do uniforme escolar se tornou obrigatório e com ele, veio a padronização. Mas a introdução da helanca, feita pela Rhodia na década de 60, por exemplo, transformou o conceito do uniforme escolar brasileiro. Suas vantagens sobre outros tecidos como a alta resistência, secagem rápida e oferta de mais cores foram fundamentais para a moda jovem nos uniformes daquela época.
Apontando as tendências deste século para uniformes escolares, a obra apresenta uma série de modelos criados a partir de pesquisa com estudantes que, ao contrário do que se imaginava, gostam de usar uniformes, mas querem um produto que possam utilizar, sem constrangimentos, na escola e em outros ambientes sociais, como shoppings e cinemas, junto com suas turmas de colegas e amigos. “Não é porque é uniforme que tem de ser feio”, foi uma frases mais ouvidas pelo grupo de pesquisadores.
Trabalho de fôlego, muito bem escrito e de leitura fácil, A História do Uniforme Escolar no Brasil apresenta uma série de fotos inéditas e curiosas, envolvendo personagens famosos da política e do mundo das artes no País, devidamente trajados com suas vestimentas de colégio.
Por exemplo, o presidente Artur Bernardes, as atrizes Tônia Carreiro, Marieta Severo e Geórgia Gomide, o ator John Herbert, e os poetas Cecília Meirelles e Manuel Bandeira, além do memorialista Pedro Nava. Apresenta também a primeira foto, de 1888, de alunos com uma espécie de uniforme: uma batina escura usada pelos internos do Colégio Caraça, tradicional escola de Minas Gerais.
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