terça-feira, 26/05/2009

Neurônios-espelho: uma possível explicação sobre o autismo

Éverton Fernandes Cordeiro*
Marcela Fernanda de Souza*
Maxilane Fernandes Cordeiro*
Nayara de Cássia Campos M. Souza*
Cláudia Silva Lana**

No início dos anos 90, Giacomo Rizzolatti, Leonardo Fogassi e Vitório Gallese, neurologistas do departamento de fisiologia da universidade de Parma, Itália, através de eletrodos implantados no córtex cerebral de macacos Rhesus, mapeavam os sinais produzidos por neurônios motores na área pré-motora desses primatas (f5, lobo frontal) quando realizavam movimentos como, por exemplo, agarrar um objeto. Os pesquisadores perceberam que o mesmo grupo de neurônios disparava quando o macaco observava a mesma ação sendo realizada por outro. Esse tipo de neurônio capaz de sinalizar quando uma ação é executada pelo próprio indivíduo e refletir a mesma atividade neural em cérebros de terceiros, foi denominado neurônio-espelho.

A localização de neurônios-espelho no cérebro de humanos foi obtida através de exames de neuroimagem, ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitions. Foi constatado que quando o indivíduo executa uma ação ou observa alguém a executando, neurônios-espelho da área de broca, que é uma área relacionada à linguagem, são ativados. Esses neurônios permitem não só compreender diretamente a ação dos outros, mas também compreender suas intenções, o significado social do seu comportamento e de suas ações.

A imitação que ocorre logo após o nascimento é responsável pela identificação de pessoas importantes do seu meio social e se desenvolve para identificações mais complexas, permitindo que esse indivíduo forme laços de apego no decorrer da vida, obtendo importantes informações sobre o meio. Os neurônios-espelho nos ajudam a compreender o que o outro está pensando ou sentindo através de mudanças na face, no olhar e no tom de voz.

A empatia é o processo de identificação no qual o indivíduo se coloca no lugar do outro, procurando compreender seu comportamento. Os neurônios-espelho permitem entender tal fenômeno.

Pesquisadores sugerem que uma deficiência ou disfunção do sistema de neurônios-espelho nos seres humanos poderia estar envolvida com a gênese do autismo.Crianças que apresentam comportamento autista sofrem de grande dificuldade de se expressar, compreender e imitar sentimentos, o que resulta em problemas de socialização e aprendizagem. A imitação e a empatia são importantíssimas no processo de aprendizagem e socialização, e essas funções estão alteradas em indivíduos autistas.

O autismo possui causas multifatoriais, mas a possibilidade de neurônios-espelho estarem relacionados com o autismo serve de base para novas pesquisas na área.

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*Graduandos do 3º período do curso de psicologia – Universidade Presidente Antônio Carlos -UNIPAC/Vale do Aço, Ipatinga - MG;
** Docente da disciplina de Psicofisiologia da Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC/Vale do Aço, Ipatinga - MG

 

Excelente. Muito bacana a

Enviado por Wesley Rodrigues (não verificado) em qui, 28/05/2009 - 14:09.

Excelente. Muito bacana a reportagem.


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