quinta-feira, 04/08/2011

Estudantes das classes A e B ainda são maioria nas federais

Apesar da adoção de políticas afirmativas e do aumento de vagas, a proporção de estudantes das classes C, D e E nas universidades federais ficou praticamente estagnada nos últimos 15 anos. É o que revela levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

A pesquisa mostra, porém, que aumentou a parcela de alunos com origem na escola pública, assim como a de pretos e pardos. O levantamento foi feito no ano passado e contou com a participação de 19.691 universitários (3% do total).

A definição de classe econômica seguiu critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). Em 1996, 44,3% dos alunos enquadravam-se nas classes C, D e E. Em 2010, o percentual caiu para 43,7% - variação que está dentro da margem de erro. A renda familiar média desses estudantes é de R$ 1.459 ou menos.

No ano passado, 50,39% dos estudantes das federais tinham feito o ensino médio única ou majoritariamente em estabelecimentos públicos, ante 45,04% em 1996. Já a proporção de pretos e pardos subiu de 34,2%, em 2003, para 40,8%. O relatório destaca que esse grupo continuava subrepresentado nas universidades federais, pois equivale a 50,7% do conjunto da população brasileira. No caso da escola pública, a desproporção é maior, já que 88% dos alunos de ensino médio frequentam estabelecimentos públicos.

O presidente da Andifes, João Luiz Martins, diz que houve avanços na democratização do acesso ao ensino superior, mas reivindica mais investimentos do Ministério da Educação em assistência estudantil e considera baixíssimo o índice de 2,5% de graduandos que vivem em moradias oferecidas pelas universidades. "Há uma dívida enorme", disse Martins, reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

A parcela de universitários oriundos da escola pública - 50,39%, em 2010 - considera quem frequentou estabelecimentos públicos em todo o ensino médio (44,81%) ou na maior parte dele (5,58%).

O relatório conclui que há uma concentração de estudantes das classes A e B em detrimento das demais. No conjunto da população, por exemplo, a classe A corresponde a 4,5% do total, mas, nas universidades federais, fica com 15,25% das matrículas.

O Tempo

Da redação do Plox

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