Os profissionais são unânimes: móveis em madeira ou fibras naturais, revestimentos e texturas diferenciadas, vegetação farta, som ambiente e aromas sutis fazem parte do repertório dos refúgios, independentemente da área utilizada para montá-los. “Além de moderno, um jardim vertical economiza espaço, regula a temperatura e a acústica, aumenta a metragem útil de verde, serve como terapia, ajuda a relaxar e pode ser aplicado em qualquer lugar”, defende a paisagista Gica Messiara. “Vejo o refúgio como um fator de relaxamento; um espaço cheio de personalidade, que serve tanto para meditar como para ler um jornal ou tomar um café da manhã”, pondera o paisagista Marcelo Belloto.
A arquiteta Adriana Consulin, autora do impactante projeto Estufa do Pesquisador, na Campinas Décor 2010, é enfática em sua receita: “As pessoas precisam aprender a buscar o bem-estar e a decoração descomplicados. Chega de ambientes onde não se pode sentar porque suja ou com objetos que se você bater, quebram...”, brinca.
Ou seja, a solução faz com que os moradores aproveitem muito mais a casa e desfrutem dela sob um outro prisma. E não é um recurso meramente decorativo; ao contrário: tem grande utilidade. É uma pausa para estimular o silêncio, o relaxamento, o reequilíbrio. Pode até revelar um certo grau de egoísmo, a partir do momento em que confirma e reforça as principais características do “cocooning”. Mas não deixa de ser um sinal inexorável dos nossos tempos.

Além das cores relaxantes, o jardim de inverno de Andréa Barroso para a Campinas Décor, faz do pergolado coberto de vidro um convidativo local de repouso. Tem espelho d’água com parede em seixo, lareira e móveis especiais. Predominam ainda madeira, vidro e pedra
Varandas aconchegantes, jardins de inverno surpreendentes, gazebos e pergolados confortáveis e até pequenos jardins verticais espalhados aqui e ali criam, cada vez mais, um refúgio dentro dos últimos refúgios urbanos - as casas e apartamentos.
Confirmados nas recentes Campinas Décor e Casa Cor SP, os refúgios residenciais detonam uma segunda fase do efeito cocconing (encasulamento, em inglês), nome dado ao direcionamento observado nas últimas décadas: a menor socialização dos indivíduos, que faz com que estes passem mais tempo recolhidos à casa.
Prevista pela escritora e consultora de marketing Faith Popcorn já em 1990, a união da tecnologia (internet, home theaters, celulares...) e da estética, somada à insegurança generalizada, contribuiu para o advento desse isolamento “socialmente aceitável”.
A profecia não só se realizou como foi além. A ideia agora é transformar áreas de pouco uso em zonas neutras, atraentes e funcionais, com elementos contemplativos e de relax. É uma das saídas para afugentar o estresse e recarregar as energias depois de um dia de trabalho.
Na prática, arquitetura e design de interiores unem-se em torno de uma única coisa: espaços descomplicados e confortáveis - não importa onde estejam. “Mas não se trata de um puxadinho ou de um espaço enorme cheio de vasos para ostentar”, alerta o arquiteto Fred Benedetti. “O refúgio deve promover o bem-estar do proprietário e ser um lugar onde ele fique longe do notebook, do celular, da informação exagerada e dos prazos devedores.” Para o paisagista Roberto Riscala, o local precisa ter funções e atributos além da estética. “Porque a vida não é só plástica. Um ambiente assim deve aguçar todos os sentidos.”
Casa e Cia
Imagens: Divulgação
Da redação do Plox
Comentar