Mesmo sem o Cruzeiro ter feito a divulgação do balanço patrimonial do ano de 2011 (publicação será feita em abril), o ex-presidente estrelado, Zezé Perrella comenta a escolha da atual direção em permanecer com Montillo, avaliado por Gilvan de Pinho Tavares em 15 milhões de euros.
“Quando ele (Gilvan de Pinho Tavares) fez a opção de não vender o Montillo, essa possibilidade de atrasar salários era bem real. Normalmente, a nossa receita fixa gira em torno de 80 milhões por ano, entre renda de jogos e tudo mais, e a despesa chega a algo próximo de 120 (milhões)”, considerou Zezé Perrella, avalista do Cruzeiro em operações bancárias no valor de R$ 30 milhões.
Dinheiro no caixa
Perrella admitiu que entregou o caixa do Cruzeiro zerado para Gilvan, mas se defendeu do fato, dizendo que nenhum clube do Brasil dá lucro.
“Realmente entreguei o clube sem dinheiro em caixa. Mas existia maneira de arrumar recursos, porque dinheiro em caixa nunca teve. Na verdade, nem o Cruzeiro e, também, nenhum outro clube do Brasil. Porque o objetivo do clube não é gerar lucro. Têm duas maneiras de você pagar as suas contas, ou você vai ao mercado financeiro e arranja recursos, ou você vende jogadores”, justificou Perrella, em entrevista à TV Globo.
Problemas financeiros
Sobre os problemas financeiros que o Cruzeiro poderia ter no início da atual temporada, pela não venda do camisa 10, Perrella disse ter avisado ao seu sucessor.
“Eu coloquei isso antes de sair, que a gente teria um déficit de 30 milhões no ano, obviamente com a venda do Montillo esses 30 milhões seriam parcialmente pagos, e era o que eu queria fazer na época. Não o fiz em respeito, obviamente, ao presidente novo, que estava assumindo”.
A atual situação do clube é tão complexa, do ponto de vista financeiro, que o Cruzeiro só conseguiu quitar os salários de dezembro na última terça-feira (dos jogadores que recebiam vencimentos de maior valor), com 26 dias de atraso. Este fato, aliado ao comportamento irônico de Gilvan de Pinho Tavares, gerou a revolta de alguns jogadores, que divulgaram uma carta repudiando as declarações do atual mandatário celeste.
Zezé Perrella, que agora acompanha a vida do Cruzeiro “de longe”, também opinou sobre o ocorrido.
“Não é motivo para tomar essa atitude de soltar essa carta à imprensa. Eu acho que roupa suja se lava em casa, e a lei permite que se atrase salário até por 90 dias. Só após 90 dias você pode perder o passe de um jogador. Pelo que eu viu na nota, os jogadores se sentiram ofendidos, entre aspas, por uma brincadeira. Eu acho que foi muito mais uma brincadeira que o presidente Gilvan fez”.
O ex-cartola e atual Senador da República, comparou o início da gestão de Gilvan com os seus tempos de clube.
“Eu fico chateado, porque 20 dias não é atraso no futebol brasileiro. Talvez estejam mal-acostumados, porque o Cruzeiro nunca atrasou. Nós também não podemos transformar isso numa tempestade”, acrescentou o ex-presidente.
O Tempo
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