A menos de cinco meses do fim do seu mandato, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, anunciou oficialmente nesta sexta-feira a sua desistência em se candidatar à reeleição, em outubro. Foi o primeiro adeus do dirigente, que se despedirá do cargo apenas em 31 de dezembro.
Numa entrevista que durou exatamente uma hora, Perrella disse que desistiu da reeleição no Cruzeiro depois de assumir o cargo de senador da República, em 11 de julho, e perceber que a função em Brasília lhe consumiria muito.

“Estava pensando em ser candidato, recebi até um apelo dos conselheiros. No primeiro momento, estava pensando em compatibilizar e vi que vai ser sacrifício muito grande, porque o Senado exige uma presença muito maior que a de deputado. E resolvi não ser candidato mais. E teve também um apelo da própria família. Mas estou saindo numa boa, pois tivemos gestão vitoriosa e cumpri o meu papel”, disse Perrella.
História no clube
Perrella encerrará o seu quarto mandato na presidência. Ele assumiu o cargo pela primeira vez no biênio 1995/96, no lugar de César Masci. Na sequência, venceu duas eleições para os triênios 1997/98/99 e 2000/01/02. Nesse período, o dirigente conquistou 14 títulos, sendo a Copa Libertadores de 1997 o mais importante deles.
O irmão de Zezé, Alvimar de Oliveira Costa, sucedeu-o a partir de 2003 e comandou o Cruzeiro até 2008, em dois triênios. Suas grandes conquistas foram o Estadual, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro de 2003, intituladas de Tríplice Coroa.
No fim de 2008, Zezé Perrella voltou ao cargo maior do clube ao derrotar o candidato Márcio Rodrigues, representante único da oposição. Desde então, ele conquistou apenas os Mineiros de 2009 e 2011.
O prometido título de expressão ficou no quase. O Cruzeiro foi vice da Libertadores em 2009 e do Brasileirão, em 2010.
“Foram 22 títulos naquilo que muitos chamam de dinastia Perrella. Mas a cobrança às vezes é desumana. A torcida cobra, mas sou grato a ela, porque nunca fui hostilizado na rua. Ajudamos a transformar o Cruzeiro na sexta maior torcida do Brasil, talvez isso seja até mais importante que os títulos. Éramos três milhões e hoje somos oito milhões”, disse.
O dirigente discorda dos que consideram a gestão atual um fracasso. “Dos três mineiros, ganhamos dois. Fomos vice-campeões do Brasil e vice da Libertadores. Não acho que foi uma má performance”.
Rejeição da torcida
Perrella assegurou que a forte rejeição da torcida à sua administração não interferiu na decisão. A família, sim, estava incomodada. “Isso não é agradável, mas não tem peso não. Já passei situações mais complicadas. A grande manifestação eram 19 pessoas. O Cruzeiro tem oito milhões de torcedores. Essa turma do estádio são 500 pessoas. Mas que é deselegante, é. Depois de fazer o que você fez pelo clube, ouvir isso? A nível de família, pesa. A mim, não. São meia dúzia de pessoas que não entendem o que é tocar um clube de futebol”.
Sucessão
Perrella ficará fora das próximas gestões do Cruzeiro. A chapa da situação já está definida. O atual vice, Gilvan de Pinho Tavares, será o candidato à presidência. Os dois vices serão José Maria Queiroz, hoje superintendente das categorias de base, e Márcio Rodrigues Silva, que foi candidato da oposição derrotado por Zezé na última eleição.
"Estou me despedindo do Cruzeiro esse ano, e foi consenso do nosso grupo lançar o doutor Gilvan como candidato. A torcida pode ficar despreocupada porque o Cruzeiro está bem entregue", encerrou.
(UAI)
Da redação do Plox
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