Introdução: A sabedoria e os propósitos de Deus com suas criaturas são o mais elevados possível. Desde as criações inanimadas, estáticas, até as animadas, vivas, redundam em sua glória e bem-estar dos seus seres racionais. Na modalidade humana Deus instituiu o matrimônio como base. O Salmo 128 é a mostra do lar perfeito.

1 – A CRIAÇÃO DE ADÃO.
Deus formou Adão do pó da terra; do sexo masculino. É certo que ele viveu anos no ‘estado civil’ de solteiro, era solitário. Isso não o impedia de ser inteligente, zeloso, temente a Deus. No sentido emocional e físico, havia carências impossíveis de serem preenchidas pelo afeto dos anjos ou dos animais. No mundo dos espíritos angelicais não viu Deus a necessidade de acasalamento; eles são assexuados. Confirmando: “Os anjos no céu nem casam, nem são dados em casamento.” Mt 22.30.
“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.” Gn 2.18. Deus não disse que era impossível o homem viver só, mas que não era bom. Não bastava uma alimentação farta e um mundo sossegado para Adão se realizar, ser feliz. Deus cuida das minúcias para o completo conforto de seus filhos.
2 – A CRIAÇÃO DA MULHER.
A solidão de Adão feria o coração de Deus. A sensibilidade do Criador o levou a criar a mulher. A anatomia da mulher seria diferente, seria do sexo feminino. Seria dotada de afetividades insubstituíveis. O macho e a fêmea se complementariam satisfatoriamente. “E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.” Gn 2.23.
O relacionamento do casal foi a coroação das obras sublimes de Deus. O companheirismo e a pureza do relacionamento sexual deram início a um mundo novo para Adão. Agora sim, diria, vale a pena morar em um jardim! O sol ‘brilhou com mais intensidade’ a partir daquele dia; a ‘lua deu um tom romântico’ nas noites seguintes.
3 – A PROCRIAÇÃO.
Deus deu ao homem o domínio sobre todas as criações vivas ou inanimadas. O ‘controle’ da terra estava entregue a Adão. Mas Deus ordenou ao casal que crescesse e se multiplicasse. “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” Gn 1.27-28. O crescimento bem poderia ser cultural, tecnológico ou o desenvolvimento de suas criatividades represadas em suas mentes. A multiplicação seria a perpetuação da espécie humana de forma gradativa.
A concepção de filhos é a marca da mãe dos viventes, Eva. A bem-aventurança da maternidade é algo singular delegado por Deus à mulher. O controle da natalidade é matéria a ser ponderada pelo casal com sabedoria e temor a Deus. A recusa terminante de filhos poderá acarretar traumas e culpa diante de Deus. O aborto é um insulto ao doador da vida.
4 – O RELACIONAMENTO CONJUGAL.
O texto é claro sobre a liberdade sexual do casal como normalidade da vida a dois ao dizer: “E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.” Gn 2.25. O estado de inocência os conduzia livres de vícios pecaminosos. Eles se entregavam ao amor assim que sentiam uma nova atração.
Somente a maturidade permite que os casais sejam fiéis e prontos a satisfazerem um ao outro plenamente e sem excessos ou negativas indesejadas. “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência.” I Co 7.3-5. Não há nenhuma necessidade de ‘novidades’ para o casal que teme a Deus. A consumação da cópula produz o mesmo prazer com qualquer pessoa, mas os filhos de Deus receberam o preceito da fidelidade. Nos tempos do fim, apregoa-se normalidade para ceder às tentações e manter ‘casos’ fora do cônjuge; quem não sabe que isso é mais uma das artimanhas satânicas contra a santidade da família?

5 – A CRIAÇÃO DOS FILHOS.
Cabem aos pais o sustento e a orientação dos filhos que vierem a gerar. Não havia ‘leis familiares’ no jardim do Éden. Mas como é natural, os filhos atendiam a seus pais. Posteriormente, após a queda de Adão e Eva, prescrições foram dadas por Deus para a boa formação do caráter dos filhos. “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.” Dt 6.6-7. “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.” Pv 22.6.
A responsabilidade é toda dos pais sobre a guarda e futuro dos filhos. Pais sem ‘sonhos’ criam filhos ‘mortos’ para um mundo competitivo. O temor a Deus é o tônico número um para os filhos virem a honrar os pais. O exemplo dos pais falará mais alto do que uma estante cheia de livros.
6 – OS DEVERES DOMÉSTICOS.
Uma página bíblica é dedicada à vida conjugal nos diversos livros da Bíblia. É minuciosa e clara aos casais sobre seus deveres e direitos dentro do matrimônio. Nos tempos modernos, há uma verdadeira campanha mobilizada para alterar esses ditames, proclamando que são ultrapassados, de culturas superadas e um sem fim de ‘razões’.
O casal inteligente se curvará às prescrições de Deus. Marido amando a esposa e ela sendo-lhe submissa. “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” Ef 5.22-25. Ambos cooperando entre si, estimulando-se reciprocamente ao bem e perdoando-se mutuamente ao cometerem erros. O marido é o provedor e a esposa, a administradora. Ele norteia o lar e ela edifica a casa. Ele é o protetor e ela, a mantenedora da ternura.
7 – A ESTRUTURAÇÃO DOS FILHOS.
A sociedade tem perdido a direção e adulterado os valores sadios das pessoas, por estarem distantes das verdades do Senhor. A cada geração que chega, o sintoma é de piora. O afrouxamento dos princípios morais destrói a solidez da estrutura psíquica. As ‘emancipações’ proclamadas para o ser humano têm se tornado em armadilhas para a destruição da harmonia e bem-estar familiar. Basta observar quão nocivas são as novelas da televisão.
A vida de honradez e caráter bem formado tem início no lar. Mas, como esse início se dará se os pais não cultivam bons modos, e bons exemplos não são oferecidos aos filhos? Lares com ‘muita televisão’ e pouca Bíblia são lares fadados à derrota. As nações estão clamando por solução para a rebeldia juvenil. Essa rebeldia é a consequência de lares desprovidos de oração e respeito a Deus. O exemplo positivo e a amizade dos pais valem mais que meses letivos no educandário. A correção moderada é preceito de Deus: “Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.” Pv 23.23-24.
8 – AS TURBULÊNCIAS IMPREVISTAS.
A herança recebida de nossos pais após a transgressão inicial é de entristecer, e, depois, de estarrecer. As acusações tiveram seu inicio. O ódio e o ciúme entraram em cena. A violência é um câncer crônico desde antes do dilúvio. Casais que se comprometem em juras de amor, das mais efervescentes, são encontrados em varas de famílias com o semblante carrancudo e desejos de vingança.
É preciso entender que a imperfeição está presente em todos os corações. Aqueles que se amam deverão ler, reler e praticar a poesia sublime do amor escrita por Paulo aos Coríntios em seu capítulo 13. Uma pá de adubo é mais eficaz do que cem pedradas. A tolerância é um dos sustentáculos da vida familiar. “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.” I Co 7.10-11. O casal não deve assustar-se nos tempos das vacas magras. A reconciliação é sempre possível a quem ama.
O plano de Deus é que o casamento dure enquanto os cônjuges viverem. Não se previram divórcios e separações no planejamento original da família. “Então, chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” Mt 19.3-6.
9 – A COMUNICAÇÃO: CHAVE DA VITÓRIA.
Sabemos que os enamorados conversam o tempo todo em que estão pertos, e de longe se falam pelo telefone. Ouvem-se mutuamente e sem pressa. Por que não adotar esta modalidade na vida matrimonial? Palavras secas e resumidas não ajudam em nada na vida conjugal. O casal precisa conversar. Conversar sobre seus sonhos, seus interesses, suas preferências, seus filhos, seu dia-a-dia, suas dores e seus medos.
A solidão existe em muitos matrimônios por um dos cônjuges ser frio, desinteressado no que o outro tem a dizer. Conversar só para cobrar ou ‘ralhar’ é a pior atitude. Os desabafos que tendem a magoar a pessoa amada não deverão ser proferidos; a menos que seja em forma de pedido de ajuda ou pedido para a mudança de hábito do cônjuge. A bênção de Deus ordena comedimento em tudo: “Tempo de estar calado e tempo de falar.” Ec 3.7.
Os filhos podem participar dos diálogos paternos, reservados os limites dos assuntos e de suas idades.
10 – INSPIRADOR OU REPULSIVO?
O ser humano só oferece o que estiver armazenado em seu interior. “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.” Mt 12.34. Dependendo de seu relacionamento com Deus, será fonte de inspiração; se for negligente em sua vida devocional, espiritual, prejudicará os que estiverem mais próximos. A falta de comunhão com Deus reduzirá a sensibilidade no tratamento com os familiares e amigos. O ser humano do gênio alterado, nervoso, será gerador de incêndios no lar. Estará sempre com a ‘pólvora’ pronta para explodir.
Irradiar boa vontade e gerar harmonia requerem sacrifícios e desprendimento. O que se casa deve ter seu cônjuge em primeiro lugar; em segundo lugar, os filhos. Será educado e altruísta; colocará os interesses dos seus domésticos como prioridade. Será um conquistador de simpatias dentro de seu próprio lar. O lar é a representação do céu na terra; como está o nosso lar?
11 – ALIANÇA QUEBRADA.
Esse fato que, infelizmente, tem ocorrido em milhares de casais e família não faz parte do plano original de Deus. Seja por traição, infidelidade ou incompatibilidade de gênios. As consequências são devastadoras. Os filhos guardarão no subconsciente por toda a vida o trágico afastamento dos pais do convívio conjugal. O casal envidará esforços em oração para não chegar a esse ponto. Se ocorrer, é necessária a busca do perdão, da reconciliação. Tal cura e renovação da confiança serão um processo gradativo, aparentemente impossível. Mas é possível.
Na impossibilidade definitiva de reconciliação, esgotados todos os recursos de reatar relações, o casal divorciar-se-á, mas prestará a assistência aos herdeiros de acordo com a lei e a consciência. O céu se entristece com tais ocorrências, mas o ser humano é livre para tomar decisões e arcar com as consequências. Um fato desses na vida de um ministro do evangelho o colocará para sempre sob dúvida e comentários negativos da comunidade, da sociedade.
12 – SUSTENTÁCULOS DA FAMÍLIA.
A família é um organismo vivo. Precisa de alimentação apropriada. Tal alimento é a palavra de Deus. Os membros do lar deverão ser rígidos consigo mesmos na leitura diária e prática constante dos mandamentos do Senhor. A Bíblia tempera nossas emoções e controla nossos impulsos. “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” Sl 119.97.
A oração particular e coletiva dos membros da família dará forças para o cultivo do amor, da paciência e da cooperação de uns para com os outros. O ódio não consegue vencer aquele que ora a Deus. Falar com Deus ao iniciar o dia abençoará nossos movimentos e contatos; falar com Ele antes de dormir nos transportará ao repouso reparador e seguro. “Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente.” Sl 105 4.
Ser atencioso e adotar suprir as pessoas amadas da família de carinho. Dar um sorriso, oferecer um abraço, presentear com pequenas lembranças. Passear com o cônjuge em separado; outra hora, com toda a família. São pequenas atitudes quase sem valor, mas falam alto aos que nos rodeiam. “Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Ef 4.32.
Frequentar a casa de Deus. Ter compromisso no culto. Operar alguma obra no reino. Ser assíduo nas programações devocionais da obra de Deus. “Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo.” Sl 27.4. Buscar primeiro o Reino de Deus. Falar bem de toda a irmandade perante a família, especialmente diante dos filhos. Respeitar o pastor da Igreja como ungido do Senhor Jesus Cristo.
Fazer ‘vista grossa’ aos pequenos erros dos membros do lar cometidos contra nós. “E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém.” Mc 11.25. Não ser ‘cricri’. Ser amigo e não ser ciumento; desejar o melhor para o próximo e se esforçar para ajudá-los a conseguir.
Conclusão: A matéria sobre a família é farta e necessária. Está na apostila um breve vislumbre do plano de Deus para o lar. Como ser bem sucedido na área mais significativa da sociedade. De que adianta obter títulos honoríficos e ter a família desmantelada? Nada em valores ou notoriedade se equiparará ao bem-estar e a harmonia da família.
Autor: Pr. Odair Alves de Oliveira
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