sexta-feira, 25/06/2010

Que não lhe joguem ao mar!

Dois navios viajam em mares diferentes, um carregado com trigo e o outro, provavelmente, com ferro.

Num viajava Paulo, caminho à Roma, na vontade e direção de Deus; no outro, o profeta Jonas, fugindo à Társis, para não evangelizar, portanto, na sua própria direção.

Paulo passara dois anos preso em Cesaréia e caminhava para um julgamento parcial e impiedoso; mas o governador Félix percebendo esse perigo e atendendo apelo de Paulo, encaminhou-o à Roma, para ser ouvido pelo Imperador.
A prisão de Paulo fora conseqüência de denúncia falsa de peregrinos judeus, acusando-o de violar o Templo e de incitar a multidão à desordem.

Jonas viveu no século VIII a.C., no tempo de Jeroboão II, de Israel.
Era profeta hebreu, residente em Gate Hefer, aldeia de Zebulon, nas vizinhanças de Nazaré.

Paulo, sob escolta do centurião Júlio, toma navio para a viagem e se comporta bem, atento a tudo, dando bom testemunho, é tanto que, em Bons Portos, já ousava admoestar o comandante, tentando influenciar nas suas decisões sobre a viagem, falando como porta-voz dos passageiros.

O profeta Jonas recebeu de Deus ordens para levar uma mensagem de arrependimento ao povo de Nínive; não obedeceu e tentou fugir da sua presença, descendo à cidade de Jope e ali desceu ao cais e tomou navio para Társis e logo que chegou ao navio desceu ao porão, lugar que escolheu para dormir.

A viagem, caminho à Roma, foi muito desagradável, mar revolto, tornando a caminhada cansativa e cheia de atropelos.

O grupo já dominado pelo desânimo, e já sem disposição para se alimentar, mormente à iminência de perecer, recebe de Paulo a melhor orientação, mensagens de consolo e de esperança:
- Realmente vocês se precipitaram quando não ouviram a minha opinião, e estamos nessa enrascada, mas nem tudo está perdido, escutem-me, tenham bom ânimo; acreditem em Deus, Ele nos livrará; ninguém perecerá, mas só o navio e a sua carga.

Esta noite tive uma revelação, enviou-me o Senhor um anjo e falou-me assim: “Paulo você chegará a Roma e eu te darei todos quantos navegam contigo!”
- Esta palavra é verdadeira, tende bom ânimo, continua Paulo!

Eles acreditaram na palavra do apostolo, comeram e renovaram as esperanças de um salvamento.

Caminho à Társis, fez-se no mar uma grande tempestade, o navio estava para quebrar-se e o pânico tomou conta dos marinheiros que começaram a orar aos seus deuses e lançavam ao mar as fazendas.
Estavam desesperados! Mesmo com esse caos, Jonas estava indiferente, chegando a causar revolta aos tripulantes; e o comandante achou que Jonas estava dopado:
O que tens, estás dormente? Invoca o teu Deus, pode ser que Ele se lembre de nós e não pereçamos.

Os companheiros de Paulo continuaram a viagem e os marinheiros, lançando as âncoras perceberam que estavam perto da costa e, tentaram fugir do navio, mas não fizeram, porque Paulo, muito vigilante percebeu e, em tempo hábil, orientou o comando.

Após este incidente, se aproximaram da Ilha de Malta e viram que podiam se salvar à nado ou utilizando os objetos da embarcação; mas os soldados aconselharam Júlio matar os presos, evitando fuga em massa; a idéia foi rejeitada pelo centurião, que a esta altura da viagem já admirava o comportamento de Paulo e queria salvá-lo.

Jonas, atraiu a atenção de todos, não pela solidariedade demonstrada, ou pelo bom testemunho de vida, mas por sua indiferença, seu descaso, sua inércia, ao ponto da unanimidade da tripulação culpá-lo por tudo o que estava acontecendo no mar e no navio.

Os tripulantes remam e se esforçam, na busca de salvamento, mas Jonas, desce ao porão, desce ao leito e dorme...

Na Ilha de Malta, onde aportam, são bem recebidos e tratados com distinção, mercê do testemunho de Paulo.

Ali Deus opera, por seu intermédio, muitos milagres; livra o apóstolo do veneno mortal de uma serpente, cura o pai de Públio – o principal da Ilha que hospeda Paulo – e outros muitos são curados.

Paulo é uma bênção para os tripulantes, para o centurião, para os soldados e para os nativos da Ilha e para todo o povo.

Jonas tenta esconder-se de Deus e faz-se desconhecido dos homens, vemos pelo interrogatório dos tripulantes:
Qual a tua ocupação?
De onde vens?
Qual a tua terra?
E de que povo tu és?

Jonas, só após o assédio, indentifica-se e assume a culpa por tudo, após o que, fica sem iniciativa e pede:
- Levantem-me – desci à Jope, ao cais, ao navio, ao porão, ao leito, não tenho forças!
- Joguem-me no mar, eu mereço, continua Jonas, e só assim vocês seguirão tranqüilos, porquanto o mar se aquietará, porquanto a minha desobediência, a minha inércia, a minha falta de compromisso com o reino é maior que a fúria do mar!

Os tripulantes jogam o profeta ao mar – o mar aceita o pecado, aceita a sujeira, aceita a podridão, o mar ceifa vidas - e a tempestade se aquieta, e o mar deixa de ser bravio, o navio agora navega sem obstáculos; o tempo muda, a visão é ampla e a esperança de aportar em um porto seguro tranqüiliza a todos e com esse novo ambiente na embarcação os homens temem a Deus, prestam culto e fazem votos ao Senhor...

Dias depois seguem viagem e chegam à Roma, - Paulo sendo admirado pelos homens e abençoado por Deus - e são bem recebidos pelos irmãos!

Por outro lado, a desobediência, a negligência, o descaso do profeta Jonas são tão extremos que recebem os protestos dos viajores – chegando a jogá-lo à fúria do mar e da própria natureza.

Paulo e Jonas, eram servos do mesmo Deus, entretanto viajando tiveram experiências diferentes.

E você, quando viaja nesta vida, vai na sua direção ou na vontade de Deus?

Tens sido bênção ou maldição? Testemunha e convence o povo ou, só quando você sai – como Jonas – é que os circunstantes passam a crer em Deus e louvam o seu nome?

Que os tripulantes do barco que você viaja não lhe joguem ao mar!

Autor : Pb. Osmar de Lima Carneiro

Da redação do Plox

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