terça-feira, 27/07/2010

Abaixo à ditadura do Orgasmo

Foram muitos beijos, arrepios, mãos por todo corpo, cabelo com cheiro de shampoo, nuca com perfume, roupas de colegial, acampamentos com direito a lual, bola de chiclete, um filme bom, sorvete com cachaça, cachoeira no fim de semana, o violão da turma, peles bronzeadas, suor de praia, peles com creme de morango, suor de academia, motelzinho na hora do almoço, muitas transas boas e muito chimarrão.

Cada show novo uma nova paixão, vaca atolada, e fogão a lenha. A noite do noivado, o cheiro de tinta do apartamento novo, o dia me que me senti a mulher mais amada do mundo.

Todas minhas transas foram lindas, especiais e simples.

Simples como é a vida, como dormir quando se está com sono, como urinar quando se está apertada, como enjoar depois de um mau cheiro, como gemer saboreando aquela mousse de chocolate.

E agora vêm as feministas dizendo que sexo só é sexo se eu tiver três segundos de contração no músculo vaginal.

Que tenho que separar as sensações de ser tocada no clitóris, na vulva, no períneo ou no ponto g.

Que para ser uma mulher sexuada eu tenho que aumentar meus seios com próteses de borracha e ter uma perna musculosa igual a dos cavalos.

Que não tenho mais direito de ter prazer.

Que tenho obrigação de ter prazer.

Que tenho o dever de mostrar aos meus parceiros que tenho momentos extremos de prazer.

Pior, agora querem que eu tenha momentos múltiplos desse prazer.

Me ensinam passo a passo “Dez maneiras incríveis de se chegar lá”.

Na busca da igualdade comercial com os homens, estamos desconstruindo o feminino e nos igualando aos homens que sempre foram domesticados a virar máquinas de fazer sexo, sempre prontos pra tudo.

Daqui a pouco vão dizer que se não fazer sexo ali, a toda hora, sou brocha, bicha.

Mulheres felizes, conto com vocês para me ajudar neste protesto:

“Preocupem-se com o caminho e não com a chegada. Diga não à ditadura do orgasmo”.

 

Mundo ela

Da redação do Plox

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