Com a iminência da chegada do verão, a lista de preocupações femininas aumenta: corpos magros, sem celulites, bronzeados... A exposição ao sol, embora traga benefícios - como auxiliar na absorção da vitamina D e fixar o cálcio no organismo - também traz sérias implicações para a saúde quando é feita de maneira inapropriada. Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o sol pode deixar de ser um aliado da saúde para transformar-se em vilão. “Alternativas ao sol, tais como o bronzeamento artificial e os cremes autobronzeadores também devem ser analisadas com critério”, aconselha a cirurgiã plástica Carolina Paiva, da Clínica Anna Aslan Beauté, em São Paulo.
Hoje, existem diversos cremes e loções no mercado, com a presença de dihidroxiacetona, substância que provoca uma reação química na pele, escurecendo-a. São os chamados autobronzeadores. Segundo a cirurgiã plástica “esses produtos não estimulam a produção da melanina, portanto não estão bronzeando, estão apenas tingindo a pele. A maioria destes produtos não causa males aos usuários, mas ainda assim é importante levantar a possibilidade do aparecimento de alguma alergia”, afirma Carolina Paiva.
Outra opção muito em moda nos dias de hoje é o bronzeamento artificial. “É importante esclarecer que o bronzeamento com luz artificial traz danos à pele e aos olhos desprotegidos da mesma forma que a exposição à luz solar. O FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha o uso das lâmpadas de UVA com o objetivo de bronzeamento”, afirma a médica.
Mais do que o bronzeamento
A radiação ultravioleta do sol, ao penetrar na pele, desencadeia reações como queimaduras solares, fotoalergias e bronzeamento. “Os raios UV - devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida – causam também envelhecimento cutâneo e alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, alerta a médica.
A radiação solar se divide em radiação UVA, UVB e UVC, explica Carolina Paiva. A radiação UVA constitui-se na maior parte da radiação UV dos raios solares, cerca de 90 a 95%. Cerca de 5 a 10% da radiação UV é composta por radiação UVB. Já a radiação UVC é absorvida pela camada de ozônio. “A radiação UVA possui intensidade constante durante todo o ano. Sua intensidade não varia muito ao longo do dia, sendo um pouco maior entre 10 e 16 horas. Penetra profundamente na pele, sendo a principal responsável pelo fotoenvelhecimento. Tem importante participação nas fotoalergias e também predispõe a pele ao surgimento do câncer”. O UVA também está presente nas câmaras de bronzeamento artificial, em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol.
A incidência dos raios UVB aumenta durante o verão, especialmente nos horários entre 10 e 16 horas, quando a intensidade dos raios atinge seu grau máximo. Estes raios penetram superficialmente na pele e causam as queimaduras solares. “Este tipo da radiação é a principal responsável pelas alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, explica a médica.
Como tornar o bronzeamento uma prática segura?
1) Existe a possibilidade de se bronzear, sem queimar a pele. O primeiro consenso entre os médicos é o de que os banhos de sol devem ser realizados até às 10:00 da manhã, ou após as 16:00, quando os raios UVA, menos danosos, são mais abundantes;
2) É também importante ter em mente que o resultado do bronzeamento natural e seguro só poderá ser percebido dias após a exposição solar. “O corpo precisa de um tempo para produzir melanina e liberá-la pelas células. Por se tratar de um processo biológico, não há como apressá-lo sem riscos. Portanto, um banho de sol de um dia só, com muitas horas de exposição, só traz problemas”, aconselha a médica Fernanda Klein Dias, que também integra o corpo clínico da Clínica Anna Aslan Beauté;
3) O ideal é tomar sol por um período de, no máximo, vinte minutos diários durante as férias, sempre fazendo uso de protetores solares com fatores de proteção solar (FPS) elevados. “É importante lembrar também que o protetor leva aproximadamente trinta minutos para iniciar sua ação e mesmo com filtro solar, uma parte da radiação ultravioleta está atingindo a pele e estimulando o bronzeamento”, diz a médica;
4) Não fique vermelho, como um camarão: “a ‘vermelhidão’ na pele é ocasionada pela exposição solar excessiva e sem proteção adequada” destaca a médica. É muito importante proteger crianças e adolescentes adequadamente. “Se o filtro solar utilizado permite que a pele fique vermelha após a exposição solar, é sinal que a proteção não está sendo eficaz e que o fator de proteção solar deve ser aumentado ou o produto deve ser aplicado em intervalos menores”, recomenda Fernanda Klein Dias;
5) O fator de proteção mínimo deve ser o FPS 30. Sua reaplicação deve ser feita a cada 2 horas ou após mergulho, exercício ou suor excessivo. O protetor para os lábios também deve ser utilizado, durante o banho de sol;
6) “O uso de chapéus, durante a exposição solar, contribui para a proteção de áreas sensíveis, como olhos, orelhas, pescoço e nuca. Os óculos de sol com 99-100% de proteção UV são poderosos aliados na proteção dos olhos, que podem sofrer danos oculares sérios, como a catarata, quando expostos ao sol sem proteção”, diz Fernanda Klein Dias;
7) A médica lembra também que “já existem, hoje, roupas que protegem a pele de radiações solares, como as utilizadas pelos surfistas”;
8) Mesmo os que decidem ficar na sombra, nas praias ou piscinas, não estão livres de sofrer com a radiação solar que se reflete na água, na areia e no asfalto. “Portanto, quem vai à praia ficar embaixo do guarda-sol também deve utilizar filtro solar”, finaliza Fernanda Klein Dias.
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