"...E viveram felizes para sempre." Essa frase embalou o sonho de milhares de mulheres e de alguns homens, no tempo em que encontrar o príncipe ou a princesa dos sonhos era uma meta, um conto de fadas ou o desejo de viver o final feliz. Atualmente, o enredo começa a tomar novos rumos, e o fast love - amores rápidos - entra em cena. O que era para ser duradouro torna-se instantâneo. Os "amores de verão", ou "paixões de carnaval", não estão mais presentes só nessas épocas do ano. Cada vez mais relacionamentos rápidos e sem compromissos fazem parte do dia a dia das pessoas.
Hoje em dia tudo é muito veloz, o tempo é a moeda mais valiosa, e com isso as relações e os desejos também mudam. "O tempo não permanece mais o mesmo, e no lugar dessas estruturas, surge então a valorização da mutabilidade, da não-fixidez. É como se o mundo pelo qual nos orientamos estivesse caracterizado de forma frágil e errática", disse Icléia da Rocha, psicóloga e psicoterapeuta de casais e família.

Para ela, os valores hoje são obrigados a se desvalorizar no dia ou no instante seguinte. "Assim, os relacionamentos, inclusive os amorosos, não possuem mais obrigatoriedade de se tornarem duradouros. Pelo contrário, é estranho que eles se tornem. Isso foge da concepção e do sistema atual."
A mulher moderna está inserida no mercado de trabalho, divide as funções de mãe, dona de casa e profissional. Com isso, ela compete de igual para igual com os homens, e também nos relacionamentos tomam uma postura diferente da esperada por alguns homens. "As mulheres hoje estão piores que os homens. Antes a mulher tinha a intenção de ter um relacionamento sério, e hoje elas estão iguais à gente, querem sair, 'pegar geral', zoar", afirmou o atleta Edvan Galeno, 23 anos. "Eu estou procurando uma namorada, quero sossegar e me estabilizar. Mas está difícil achar uma garota para namorar, porque ela tem que ser tranquila, não ser de balada, e ser mais comportada mesmo."
Os compromissos a longo prazo parecem cada vez mais distantes e raros. Nem todos querem se fixar a algo ou a alguém. "As micaretas, os carnavais fora de época, entre tantas outras festas e encontros de base juvenil, estão aí ratificando essa ideia", disse Camila Fineto, bacharel em psicologia. "O ato de 'ficar' com duas, três, quatro pessoas numa mesma festa não é mais encarado com estranhamento. Faz parte dessa flexibilidade dada, é como se o tempo fosse rápido e curto demais para abarcar todas as coisas."
Tradicionais
Por mais que os relacionamentos hoje em dia sejam mais flexíveis e rápidos, ainda existem pessoas que sonham com um relacionamento sério, pensam em namorar, casar e formar uma família. "Eu gosto mais de namorar do que de ficar. Mas tem também a 'ficada mais séria': você não namora, mas tem um respeito pela pessoa, não é obrigada a ter as responsabilidades do namoro, tem a opção de fazer o que quer e ficar com quem quer. Hoje estou solteira, mas tenho o sonho de encontrar um namorado que seja romântico, bonito e, principalmente, que goste de mim", disse a estudante Laisa Queiroz, 18 anos.
Onde estarão os príncipes e princesas dos contos de fadas? Mesmo com a correria, a internet, os fast foods, fast Love, ainda existe espaço para sonhar com um amor duradouro, o companheiro ideal, a formação de uma família? "Estamos de uma forma ou de outra inseridos neste pano de fundo, mas isso não quer dizer que todos devemos agir da mesma forma, a subjetividade está aí para isso", disse Icléia da Rocha.
"Assim, se o desejo está vinculado a encontrar um parceiro fixo e manter uma relação duradoura, mesmo que isso não esteja sendo visto ao redor no grupo de amigos ou entre aqueles que conhecemos, ainda assim essa busca não é anormal. Pode ser encarada como mais difícil, mas continua sendo saudável."
Terra
Da redação do Plox
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