Filhos e carreira?
Filhos ou carreira?
Talvez filhos primeiro, carreira depois.
Na busca por estar de bem com o espelho, a solução pode vir de dentro para fora: do DNA. Pesquisas e análises de especialistas de diferentes áreas também apontam tendências em moda, carreira e consumo (não mulheres mais consumistas, e sim, um mercado mais feminino).
Cansadas de se escabelar para dar-conta-de-tudo-ao-mesmotempo- agora, as novas gerações começam a renunciar aos múltiplos papéis que suas mães lhes ensinaram que teriam de ocupar para mostrar o seu valor.
Elas querem ter o direito de fazer as próprias escolhas. Como num movimento pendular, a tendência detectada por especialistas se esboça a partir de sinais aparentemente contraditórios, percebidos em diferentes partes do mundo.
Enquanto em cidades como Berlim aproximadamente 50% das mulheres declaram que não querem ser mães, nos Estados Unidos volta a crescer o número das que optam por ter filhos Créditos da capa Modelo: Angelica Fronza Cabelos e maquiagem: Jorginho Goulart (Hugo Beauty) antes dos 30 anos, deixando as carreiras em segundo plano.
No Brasil, o número de mães com mais de 40 anos cresceu 30% em duas décadas, mas no divã de psicanalistas chama atenção o crescente número de jovens que têm entre seus principais sonhos o casamento de véu e grinalda.
Para analistas do comportamento feminino, os caminhos aparentemente opostos trilhados pelas mulheres representam um segundo momento da revolução sexual e de costumes desencadeada a partir do surgimento da pílula anticoncepcional, há quase cinco décadas.
Depois de provarem que podem ser boas profissionais, mães, esposas, amantes e donas de casa, muitas começam a se dar conta de que não querem ser tudo isso. Querem foco.
A revisão de prioridades é interpretada como consequência de um processo de amadurecimento: a percepção de que múltiplos papéis culminam em mulheres estressadas.
Aí elas descobrem que podem mudar. E mudam. Com o alívio de saber que, caso se arrependam, podem refazer suas escolhas.
– Já passou a fase de ter que provar, agora elas podem escolher. Podem até querer ser donas de casa, mas não é mais uma obrigação, é escolha. E isso tem um significado completamente diferente. Não existe retrocesso, as conquistas femininas são um caminho sem volta – analisa a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Coroas.
Se antes o desafio era a conquista de espaço externo, o próximo é empreender uma viagem íntima, para encontrar as próprias respostas.
Sem certo e errado. Sai de cena o ter que ser, ter que fazer, ter que corresponder. Entra a pergunta: o que eu quero mesmo? Os resultados são imprevisíveis.
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