quarta-feira, 01/09/2010

Promessa é Dívida - Descubra por que com criança é assim

COM CRIANÇA É ASSIM MESMO! PROMETEU E NÃO CUMPRIU PODE TER CERTEZA QUE ELAS VÃO LEMBRAR, RELEMBRAR, COBRAR E, NUM CASO EXTREMO, ATÉ PERDER A CONFIANÇA EM VOCÊ

Nunca, mas nunca mesmo prometa alguma coisa para uma criança que você TALVEZ não possa cumprir. Mesmo que seja uma bobagem como um passeio no parque ou um algodão-doce, uma promessa não cumprida pode ser o início de uma longa dor de cabeça.

Além da memória de elefante, é preciso lembrar que a noção de tempo das crianças é diferente. Quando os pais prometem comprar um determinado brinquedo, por exemplo, no aniversário ou no Natal, perguntas como “Já chegou o dia?” ou “Falta muito?” são frequentes. É que, para quem tem poucos anos de vida, esperar um mês, dois ou três, pode até parecer um tempo sem fim. “A gente costuma dizer para os pais não alimentarem essas promessas longínquas. É difícil para a criança lidar com a idéia de tempo”, explica Isabel Cristina Gomes, professora doutora do departamento de psicologia clínica da Universidade de São Paulo.

Vida real
Em relação à memória infantil, que para essas coisas parece não ter fim, Isabel lembra que, como o universo da criança é menos carregado e ela tem menos coisas para pensar e com que se envolver, certamente sua atenção fica mais voltada para essa expectativa.

Mas, quando a cobrança é muito grande, a professora faz um alerta: “Muitas vezes a insistência da criança demonstra que ela já aprendeu que os pais prometem e depois não fazem. Por isso, ela usa o recurso de lembrar da dívida toda hora como garantia de que ela será atendida.” Quer exemplos? Um belo dia Carla Fujita, mãe de Lucas, de 3 anos, estava andando com o filho pela rua quando um vendedor passou oferecendo uma bexiga do Piu-Piu. Logo que viu, Lucas disse que queria. E queria muito. Ela, que achou a bexiga cara, disse que não podia dar naquela hora, mas que compraria depois. “Custava R$ 15, achei um absurdo”, lembra. Só que pensar em economia naquele momento acabou saindo caro para a mãe: “Ele me cobra a promessa toda hora, quando vê qualquer coisa que lembre bexiga, ou quando vê um vendedor, até quando o homem da pipoca passa na rua, lá vai ele perguntar da tal bexiga. E o pior é que eu já procurei feito doida e não acho mais em lugar nenhum.”

Um outro caso é o de Eduardo, um garotinho de 7 anos que acordou num sábado às 7h com medo de o pai ter esquecido a promessa que fez durante a semana. “Tinha dito que o levaria ao shopping para brincar nessas lojas de videogames. Tinha me esquecido completamente e levei o maior susto quando ele acordou tão cedo”, conta Edson Simeão, também pai de Luisa, de 1 ano.

Cenas assim são frequentes, primeiramente porque muitos pais costumam prometer mais do que podem cumprir e as crianças costumam ter uma memória bem maior que a dos pais para essas coisas.

Só o possível
É difícil dizer não. No entanto, segundo a psicóloga Isabel, o ideal é que os pais não prometam o que não pretendem ou que não sabem se poderão fazer. “Promessas devem ser encaradas com seriedade e respeito. Assim a criança desde sempre se sente respeitada e tem um modelo que vai fazer com que, no futuro, ela também cumpra as promessas. Se os pais não realizam aquilo a que se propõem, depois não poderão cobrar essa atitude dos filhos”, explica. “Além disso, uma promessa não cumprida pode gerar frustração. A criança pode passar a não acreditar mais nos pais e achar que não é levada
em conta.”

Se para os filhos a espera pode ser uma tortura, para os pais ela pode se tornar duas torturas. A primeira de ouvir a cobrança interminável do filho e a segunda de precisar lidar com as suas próprias restrições. “Os pais também têm dificuldade de se colocar limite e muitas vezes enrolam as crianças por não querer dizer que não querem ou simplesmente não podem dar o que elas pedem”, diz Isabel. “O ideal é ser sincero e ensinar os filhos a lidar com a frustração e os limites, sempre. As crianças, na dimensão delas, conseguem entender”, diz ela.

É claro que, sempre que possível, realizar o desejo de um filho pode ser a maior realização dos pais. “Uma vez um amigo do Eduardo viajou de avião e desde então ele dizia que também queria viajar e eu respondia que um dia nós iríamos. Isso durou dois anos”, lembra Simeão. “O problema é que as minhas férias nunca batiam com as da minha mulher. Neste ano, como deu certo, fomos para Águas Quentes, em Goiás. Dava para ir de carro, mas fomos de avião para matar a vontade dele. Durante a viagem, só de ver a carinha do Eduardo, tive certeza de que tinha valido a pena.”

Boa dica
Sinceridade precisa ser uma palavra-chave na relação entre pais e filhos. Não pense que a criança não vai entender se você disser que não pode dar alguma coisa que ela quer. Descubra uma linguagem que ela compreenda e explique a realidade. É mais importante que ela não perca a confiança que tem em você.

CONSULTORIA
Dra. Isabel Cristina Gomes, professora doutora do departamento de psicologia clínica da Universidade de São Paulo. 

Terra
Imagem:Divulgação

 

Da redação do Plox

É por isso que acho que todos

Enviado por anonimo (não verificado) em sex, 03/09/2010 - 11:35.

É por isso que acho que todos deviam participar da MOB.1273 - www.mob1273.com.br


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