No interior de Minas, existem vários crimes que continuam sem solução, desafiando a polícia e gerando angústia para as famílias das vítimas. O não esclarecimento dos casos faz com os autores continuem impunes. Em Montes Claros, no Norte do estado, o caso mais recente é do despachante Francisco Santos Filho, de 38 anos, o Chiquinho Despachante. Ele está desaparecido desde o dia 30 de dezembro último, sob suspeita de ter sido seqüestrado. A família informa que chegou a receber um telefonema com um pedido de pagamento de resgate, no valor de R$ 200 mil, quatro dias depois do desaparecimento. Mas, depois disso, não houve mais contato com os possíveis seqüestradores. O valor não foi pago e não se teve mais noticia do paradeiro do despachante.
Desde a segunda quinzena de janeiro, a pedido de familiares de Chiquinho, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Crimes contra a Vida (DCcV), de Belo Horizonte. A apuração está sob o comando do delegado Alcides Costa, que, ouvido pelo Estado de Minas na última quarta-feira, disse que já tem uma linha de investigação. Porém, alegou que ainda não pode divulgar nada para não prejudicar o trabalho policial. "É um caso difícil. Tanto é que foi repassado para uma delegacia especializada", afirmou Costa, que já fez várias diligências em Montes
Claros.
Chiquinho Despachante foi visto pela ultima na tarde de 30 de dezembro, em companhia de amigos, próximo a um restaurante na Avenida Sanitária, local movimentado da cidade. Dali, ele saiu em companhia de um cabo licenciado da Policia Militar Laércio Soares de Melo. Teriam entrado no carro do PM e deslocado até a comunidade de Lagoinha (a 20 quilômetros da área urbana), onde o despachante pegaria um dinheiro emprestado (R$ 30 mil) de uma pessoa. O carro de Chiquinho (uma Pajero) ficou estacionado na Avenida Sanitária. Segundo a mulher de Chiquinho, a servidora pública Elenice Barbosa Santos, a pessoa que emprestaria o dinheiro não foi encontrada em Lagoinha. Depois disso, Chiquinho teria deixado em frente a uma agência do Banco do Brasil, na Avenida Sanitária, a cerca de 500 metros do local onde o carro dele estava estacionado.
Mas, Chiquinho não foi mais visto. O carro dele foi encontrado dois dias depois, no mesmo local onde havia sido deixado, sem nenhum sinal de arrombamento. Elenice que às 7 horas do dia 2 de janeiro recebeu um telefonema, discado do aparelho de celular do seu marido. Pensou que fosse ele ao telefone. "Mas, era outro homem, que disse que o Chiquinho estava em poder dele e queria R$ 200 mil. Ele afirmou que não queria policia no caso que o dinheiro deveria ser colocado em um táxi".
Ainda segundo a mulher do despachante, o interlocutor anunciou que depois voltaria a ligar, acrescentando que o seu marido "estava muito bem em um capinzal". Ela começou a fazer perguntas sobre Chiquinho. Aí, foi interrompida: "Não estou aqui para responder perguntas, mas sim para passar instruções". Em seguida, o telefone foi desligado. A servidora conta ainda no mesmo dia, às 17 horas, tornou a receber uma ligação do telefone do marido, que durou cerca de 30 segundos, mas não foi ouvida nenhuma voz e o aparelho foi desligado.
Depois disso, não foi feito nenhum outro contato. E no dia 18 de janeiro, a Delegacia de Crimes Contra a Vida entrou no caso, a pedido da família, que também chegou acionar o Ministério Público. Elenice Barbosa conta que no dia 25 de janeiro, uma parenta de Chiquinho para número do celular do despachante. Uma voz feminina atendeu ao telefone, mas não falou mais nada e desligou. Por enquanto, o delegado Alcides Costa não revela se existem indícios de que o despachante esteja vivo. Mas, a família não perde a esperança de encontrá-lo com vida. "Até quando o corpo não for encontrado ou seja feito alguma exame de DNA provando sua morte, vou continuar acreditando que ele está vivo", afirma Elenice. Ela afirma ainda que o despachante sempre uma pessoa tranqüila, sem inimigos.
Ministério na morte de professor
Ainda em Montes Claros,na lista dos "casos insolúveis" está o assassinato do bancário aposentado e professor universitário Geraldo Miranda Santos, ocorrido no final de janeiro de 1991. 19 anos após o fato, a morte do professor continua sendo um mistério.
Ele foi visto pela última na noite de 31 de janeiro de 1991, quando abria a garagem de sua casa. Estava sozinho, tendo em vista que o restante da família viajava de férias. Vizinhos teriam ouvido gritos por socorro. No dia seguinte, Geraldo Miranda foi encontrado morto, às margens da BR 365 (estrada Montes Claros/Pirapora), junto ao chamado "viaduto da ponte branca", a cinco quilômetros da área urbana. O corpo apresentou marcas na cabeça (pedradas e pauladas), com a morte sendo provocada por traumatismo craniano.
O carro do professor, um Ford Pampa zero, foi levado pelos assassinos, que fugiram sem deixar pistas. Porém, a polícia não encontrou nenhuma pista dos autores. O crime começou a ser investigado imediatamente, mas a polícia não conseguiu levantar nenhuma informação a respeito dos autores. Os dados do Ford Pampa foram lançados no Cadastro Nacional de Veículos Roubados. Nove meses o veículo foi localizado no município de Xique-Xique (BA). Ele estaria numa área de plantio de maconha. O carro foi devolvido para a família. Mas, os autores do crime jamais foram identificados.
Surgiram especulações de que o assassinato do professor universitário estaria ligada a outro motivo, não esclarecido. "Mas, não há dúvida de que ele foi vítima de um assalto. Teria reagido e acabou sendo morto. Vivemos sempre na
angústia sem saber quais as pessoas que cometeram o crime. Infelizmente, essas pessoas continuam impunes", afirma uma integrante da família do professor, que prefere não aparecer.
Uai
Da redação do Plox
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