Um ano e meio após ter sido presa e absolvida em São Paulo das acusações de aplicar golpes no circuito de luxo da capital, Kelly Samara Carvalho dos Santos, 21, que chegou a ser chamada de "golpista dos Jardins" foi detida ontem de madrugada em uma boate na zona sul do Rio, área nobre da cidade.
Segundo a polícia, ela cometeu o mesmo crime (estelionato) de que foi acusada em São Paulo contra dois homens e uma boate.
Em São Paulo, Kelly se passava por parente de Eliana Tranchesi, dona da butique Daslu. No Rio, segundo a polícia, ela não inventou nenhum parentesco, mas usou o sobrenome Caramazoff na boate Melt, no Leblon (zona sul), para se passar por pessoa "bem situada na sociedade", segundo representante da casa noturna, onde é acusada de não pagar duas contas, uma delas de R$ 171.
Kelly foi absolvida das acusações que lhe foram feitas pela polícia paulista em abril do ano passado.
O juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, absolveu a jovem por "falta de provas" e determinou que fosse solta. Ela passou oito meses na prisão. A falsa socialite afirmou aos policiais cariocas que está na cidade há cerca de quatro meses.
Ela disse que só falará sobre o caso em juízo e diz que é alvo de várias acusações falsas.
De acordo com a polícia, ela furtou o talão de cheque de um homem na quarta-feira. Em seguida tentou usá-lo para pagar R$ 57 a um taxista.
O banco não descontou o cheque por não reconhecer a assinatura.
O taxista ligou para o dono do cheque, que afirmou ter sido vítima de um golpe e procurou a delegacia.
A vítima do suposto crime também recebeu duas dúzias de flores pagas com seu próprio dinheiro, enviadas por Kelly, segundo a polícia. "Ela disse que mandou para pedir desculpas", disse o delegado Rafael Menezes que efetuou a prisão.
Os policiais foram à boate 00, na Gávea, onde a vítima relatou ter conhecido Kelly. Ela foi encontrada às 2h no local e presa, temporariamente, por cinco dias. A polícia indiciou a falsa socialite sob acusação de furto, estelionato e formação de quadrilha.
"Temos a informação de que ela não agia sozinha, que havia apoio de outras pessoas para chegar às vítimas", disse o delegado. De acordo com Menezes, ela aplicou o golpe em outro homem, furtando-lhe um laptop e R$ 8.000.
A boate Melt afirma ter sido vítima de Kelly por duas vezes.
De acordo com um representante do estabelecimento, ela não pagou duas contas no valor total de R$ 347.
Ela apresentou um cartão que não era usado na casa, segundo ele, contou que estava de passagem no Rio, mas que voltaria no dia seguinte para pagar.
O representante da boate disse que ela era uma menina muito educada, que parecia ser bem situada na sociedade.
De acordo com as notas apresentadas por ele na delegacia, ela deu o nome completo verdadeiro na primeira vez.
Na segunda, usou o nome de Kelly Samara Caramazoff.
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