Em comemoração à “Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla”, a Câmara Municipal de Timóteo promoveu, na noite desta terça-feira (23/08), no Plenário da Casa, uma audiência pública sobre a trajetória da educação especial e a contribuição da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) na defesa dos direitos da pessoa com deficiência. As discussões em torno do fechamento das escolas especiais para que alunos com deficiência sejam inseridos em escolas regulares tomaram conta da audiência, solicitada pelo vereador Keisson Drumond (PT).
A diretora pedagógica da Apae de Timóteo, Vânia Lamas, defendeu a continuidade da escola especial e o intercâmbio com as escolas regulares. “Minha preocupação é se os alunos terão o acolhimento necessário na escola comum. Nós da Apae não somos contra a inclusão, mas que ela seja de feita de forma responsável. Nessa semana nos reunimos com os diretores das escolas municipais de Timóteo para que eles pudessem conhecer o nosso trabalho”, ponderou. De acordo com a vereadora Guaraciaba Araújo (PMDB), que é da área da educação, a demanda de alunos em sala de aula nas escolas normais dificulta que o aluno especial tenha um atendimento adequado. “Eu defendo as escolas especializadas, mas acredito que deve haver contato entre alunos das escolas regulares e especiais, para que a inclusão aconteça”, observou.

Para Rosemary Magalhães, mãe de um aluno da Apae, não justifica colocar o filho em uma escola regular. “Acompanhei meu filho durante oito anos na escola Carlos Drumond. Eu ficava ao lado dele porque via que a escola não tinha condição de atendê-lo. Depois percebi que estávamos era perdendo tempo, e resolvi procurar a Apae. E todo o desenvolvimento que ele conseguiu foi através da Apae, que trabalha dentro dos limites do meu filho”, contou. Jackeline Fraga, cuja filha tem deficiência intelectual, também contou das dificuldades que enfrentou com a filha matriculada em uma escola normal. “Minha filha vivia triste, os outros alunos a maltratavam e os professores não estavam preparados para atendê-la. Hoje ela é muito feliz na Apae. Ela aprendeu a ler, a escrever, ela toca na banda, tem uma vida ativa. Nós precisamos manter a Apae, porque lá nossos filhos terão a oportunidade de aprender e de serem incluídos na sociedade”, disse.
Compromisso
O veredor Keisson Drumond se comprometeu com a causa da Apae. “A minha proposta com essa audiência era esclarecer o trabalho tão bonito da Apae e fazer com que as escolas especializadas ganhem força e não sofram com esses boatos de que irão fechar. Vou atrás dos deputados para que possamos esclarecer os benefícios das escolas especiais e para que eles enxerguem que a escola inclusiva é gradativa”, analisou.
Keisson também propôs que a Câmara de Timóteo faça um documento, com a assinatura de todos os vereadores, em defesa da continuidade das escolas especiais. “Vamos encaminhar esse documento ao Congresso Nacional, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Temos que respeitar o direito de todos os que querem ser feliz na Apae”, concluiu.
Dados
De acordo com Vânia Lamas, cerca de 33 alunos da instituição já conseguiram emprego. Dentre as atividades desenvolvidas, Vânia aponta a oficina terapêutica como uma das responsáveis pela inserção de pessoas da Apae no mercado de trabalho. “As oficinas trabalham as potencialidades e habilidades de cada um, o que contribui para que eles possam trabalhar. Temos oficina de música, confecção de bijuterias, tapeçaria, atletismos, entre outras”, explica. A Apae de Timóteo foi fundada em 1985, e atende, em média, 235 pessoas por ano.
Da redação do Plox
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